quarta-feira, 31 de dezembro de 2008

Uma viagem de ida e volta no ônibus da Praça da Sé

Ida e volta à Praça da Sé...

É um dos locais ao qual sempre estou indo. Não de canso de apreciar a paisagem da Praça Municipal, encostado na balaustrada da tradicional Sorveteria Cubana que lembra ao meu amigo Cristiano aquele bolinho de arroz que ficou tão famoso , mas que lhe deu dor de barriga... É verdade que a Cubana já não é a mesma, mas, pelo menos, existe e não desapareceu, como tantas coisas boas fixadas nas nossas lembranças. Da balaustrada, da cidade alta, olho a Baía de Todos os Santos, vejo o Forte de São Marcelo, o belo prédio da Capitania dos Portos do Estado da Bahia, o atual Mercado modelo, atrativo de turistas que visitam a cidade, o quebra-mar , um belo navio de passageiros entrando no porto, navios fundeados ao largo, a Baía de Todos os Santos com o seu mar azul e reflexos prateados provocados pelo sol, a Praça Cayru com o seu monumento. Num momento de devaneio, fecho os olhos e coloco nas águas da baía algumas centenas de saveiros navegando em todas as direções . Olho para a rampa do mercado, não tem nada!... Fecho os olhos novamente e entulho aquele quadrado de tantos saveiros quantos possam caber... crio uma floresta de altos mastros . Se for no fim do dia, claro que aproveito para curtir a ida do sol para o outro lado do mundo, desaparecendo por trás da ilha de Itaparica...que é uma cena maravilhosa e diferente cada fim de dia. Posso ver tudo isto, também do terraço do Palácio Rio Branco, ali, bem ao lado do Elevador Lacerda...
Sim, mas para estar por aí, eu preciso ir até lá, não é mesmo ? O transporte de sempre é o busão com a bandeira de praça da Sé, que faz final de linha pertinho da Praça Municipal. O Ônibus com a bandeira da Praça da Sé é engraçado. Já a dois pontos antes do final, quando pára, começam a descer idosos. São tantos os idosos, que a gente tem a impressão que não terminará nunca de descer gente. Dá para pensar que, continuamente, entra gente pelo fundo e sai pela frente, formando uma corrente constante e interminável... Quando, realmente termina, parece um milagre e aí é hora de subirem os idosos que estavam no ponto para fazer o trajeto até o terminal, onde, novamente acontece a mesma coisa. Não pára de descer idosos ! Quando o ônibus esvazia, é hora de subir. Novamente, uma onda de idosos, alguns com sérias dificuldades para se locomover, invade o veículo, muitos deles, para se fazer transportar para um ponto ou dois mais adiante. É impressionante a quantidade de idosos que circula pelas ruas subindo e descendo em ônibus. A maioria, como eu, sem ter o que fazer, passeia pela cidade inteira, subindo num ônibus, descendo um pouco mais adiante e, subindo em outro e assim por diante. Quando termina o dia ,é bem provável que já entrou e saiu de uns dez ou doze transportes. Bem, pelo menos, esta é uma das vantagens que a terceira idade nos proporciona... . O ônibus com a bandeira da Praça da Sé, é, realmente, um ônibus diferente , quase que exclusivo...Os motoristas já nem ligam mais... Na minha volta para casa, hoje ( 30.12.2008), subiram, no ponto final, que, no caso , ora é inicial, três senhoras. Uma magrinha, baixinha , com cabelos estranhamente grisalhos, uma outra , mais alta , usando um chapéu de lã branco, tricotado, uma bolsa a tiracolo na cor verde petróleo e blusa estampada... Ambas sentaram-se no banco que estava à minha frente e a terceira se acomodou em um outro, mais para trás , mas do lado oposto, para que a senhora do chapéu pudesse se comunicar visual e verbalmente com ela. A baixinha e grisalha , simplesmente, logo após sentar-se, sumiu das minhas vistas e a do chapéu começou a dar trabalho. Girando-se para trás, falava com a terceira que muitas vezes precisava se levantar e ir até ela. Em cada ponto em que o ônibus parava, ela se alvoroçava e queria descer. Era preciso acalmá-la para poderem fazer o trajeto até o próximo ponto. E, assim, foi o tempo todo, até que, chegando à Barra, finalmente, alcançaram o ponto de destino. Desceram do ônibus com alguma dificuldade e tomaram o caminho da praia do Porto da Barra...Era cerca de dez horas e meia , e o sol estava, já muito forte. Certamente, a praia deveria estar superlotada. Cheguei em casa cansado por causa do sol e do calor, ansiando por um copo com água gelada.

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Foto de Sarnelli



domingo, 28 de dezembro de 2008

Pescarias pelas praias do Rio Vermelho



Pescarias e praia todos os dias...

Se, pelas tardes se empinava arraias , pelas manhãs, pois esta é a parte mais propícia do dia para este esporte, se pescava , se perambulava pelas praias e se tomava banhos de mar , com direito a muito sol no lombo !... Era preciso fazer alguma coisa, não ? Claro, mas não era estudar, que era uma perda de tempo precioso , em prejuízo do nosso lazer...Um porre ficar em cima de livros com a cabeça longe, sem entender coisa alguma ! A pescaria era realizada por toda a orla, junto as pedras ,desde a Pedra da Sereia, Taboleiro, Campinho, Pedra dos Pássaros, Santana e Mariquita. Dava peixe em todos os lugares. Começávamos bem cedo a catar iscas, aquelas baratinhas pretas que vivem sobre e nas pedras da praia. A dificuldade maior para pegá-las e consistia no fato de que são bem rápidas e que se escondem nas frestas das rochas. Quando tinha areia à mão, a coisa ficava mais fácil. Jogávamos um punhado de areia molhada sobre elas, que ficavam presas e era só catá-las, amassar-lhes as cabeças e pronto! Era só colocar numa latinha ou num saquinho pendurado na cintura. Outro tipo de isca, já mais difícil, eram os carangueijinhos, os guaiás. Mas se usava qualquer tipo de isca. Sardinha, petitinga, xixaro e até carne vermelha. Existe um tipo de peixe, ou existia , nas nossas costas, muito escorregadio que é vidrado em carne. A mangarueira. Esverdeado, com carne saborosa que se encontrava em quantidade junto as pedras de todo o Rio Vermelho . Alcançava um tamanho razoável e até brigava bastante quando era fisgado. Tinha peixe de todos os tipos. Bodiões, barbeiros, dentões, garoupas, cavalinhas, xaréus, guaricemas agulhões, e uma diversidade enorme de qualidades. Praticava-se a pesca com linhas de espera, varas ou ainda tarrafas. Éramos visitados constantemente por imensos cardumes de petitingas e xixarros, com sardinhas no meio... Toda a costa era piscosa. Os xixarros encostavam nas pedras nos meses de dezembro a fevereiro e davam até mesmo nas praias, sendo possível, às vezes, pegá-los à mão , quando os cardumes eram abundantes e os peixes grandes corriam atrás.... Hoje, sumiram ! Ponto certo, mas certíssimo , era na Mariquita, para os xixarros , por onde hoje passa o emissário submarino. Apareciam tantos pescadores que o local parecia um paliteiro,de tantas varas e, invariavelmente, surgiam brigas porque as linhas se embaraçavam dentro d’água com os movimentos dos peixinhos... O problema , ficava então, sendo saber de quem era o peixe...Um lugarzinho sobre as pedras era bastante disputado.
Havia muita facilidade. Era só esperar a hora em que o peixe começava a comer . Os peixes sumiram da costa. Começaram a desaparecer, quando iniciaram a pesca com bombas que destruíram os viveiros mais próximos. Mas era gostosa, a pesca do xixarro! Munidos de uma vara que chamávamos de flexa, uma linha com um anzol pequeno , chamado “ unha de gato “ , fazíamos a festa. Com o passar dos tempos não dava mais para pescar das pedras porque era tanta gente que ficou melhor evitar brigas e confusões. Muitas linhas dentro d’água. Um xixarro fisgado fazia uma confusão dos diabo, embaralhando as linhas de diversos pescadores e provocando as confusões sobre as pedras. Eles tinham uma particularidade: começavam a comer ávidamente e depois de algum tempo paravam. Era preciso aguardar um “ novo ataque “. Mas a pesca passou a ser impraticável porque sumiram ou mudaram de ponto, depois da instalação do emissário . É raro que hoje apareça e quando isto acontece, ela vem em pequena quantidade. Teve uma tarde que presenciei uma pescaria milagrosa. Um pescador chamado Renato, que morava lá para as bandas da Pedra da Sereia deu com um cardume de bodiões e foi um tal de tirar peixe de dentro d’água que não acabava mais. Me lembro como se fosse hoje. Não dava tempo de colocar o anzol no mar com a isca e pronto, já tirava outro. Uma pescaria verdadeiramente impressionante, mas, coisa como esta, não acontece todos os dias. É uma raridade. Naquela tarde o Renato pescou quantos bodiões quis... Eu, sentado numa pedra, apreciava . De outra feita, um outro pescador, com linha de fundo ou de espera, fisgou um peixe enorme. Levou horas trabalhando para trazê-lo e, assim mesmo, sempre emendando linhas de outros pescadores que estavam por perto e acompanhavam a briga do homem contra o peixe . Cada vez mais, era preciso soltar linha até que, cansado , esgotado, se entregou. De vez em quando, apareceu lá longe dando saltos e brilhando sob o sol da tarde . Eu nunca tinha visto um peixe tão grande na minha vida ! Tinha cerca de um metro de comprimento e, certamente, foi parar em diversas panelas. Havia peixe para todo mundo , mas as bombas terminaram com os viveiros perto da costa. Daí para cá, não se encontra mais nada . Curiosamente, até os xaréus desapareceram. “A puxada de rede “ , coisa nossa característica, que até inspirava artistas plásticos, desapareceu . Não se puxa mais a rede e ninguém mais sabe onde os xaréus foram parar... A canoa, com a rede e os pescadores, não sai mais para o mar...o povo não se junta mais na praia para ajudar a puxar a rede e ganhar o seu peixinho...
Alguns pescadores, conseguem alguma coisa, praticando a pesca submarina, mas nem sempre têm muita sorte. Numa noite, ah, sim, esta é boa. Fui pescar no capim das Freiras, em frente a Pedra dos Pássaros, com o meu compadre . Era uma noite de lua e ele queria pescar. Estávamos munidos de tudo, mas precisávamos de sorte, sempre é preciso de um pouco de sorte. O meu amigo jogou a sua linha e, de repente, sentiu um puxão e aí a coisa começou. Tinha um peixe na linha. deu trabalho puxá-lo, mas conseguiu . Um belo dentão de uns dois quilos mas, numa outra noite aconteceu praticamente o mesmo. porém , quando colocamos o peixe sobre as pedras, a surpresa: era um caramuru...demos uma bela corrida assustados com o bicho , que tem uma dentada muito violenta, mas depois conseguimos tirá-lo do anzol. É um peixe difícil de tirar da linha. Além de morder firme, é muito escorregadio , mas conseguimos. Outra ocorrência interessante e que não dá para esquecer, aconteceu na casa do meu avô. Havia voltado da praia e larguei o material no chão para ir beber água. Quando voltei, verifiquei que havia pescado um gato. É que, no anzol, havia um pedaço de carne, que o gato engolira. Não havia como tirar o anzol que já devia estar no seu estômago. Corri para a cozinha, apanhei uma faca e cortei a linha. O gato saiu correndo como se estivesse fugindo do diabo... Só sei de uma coisa: nunca havia visto aquele gato por lá. Que existe peixe-gato, existe, mas aquele era diferente !...
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Foto de Sarnelli - pedras da praia de Santana

Sarnelli 29.12.2008

sexta-feira, 26 de dezembro de 2008

Meu primeiro tiro




Meu primeiro tiro Junho de 1997


É... o tempo lá fora não está nada bom. Estamos no outono, o mar está agitado, os pescadores não estão saindo por causa de muito vento e chuva pesada. O que fazer numa tarde de domingo como essa, um domingo friorento e chato? A televisão, como todos sabem, transformou os dias de domingos (sábados e feriados) num tremendo porre. Não pára de repetir programas que são apresentados há muitos anos, sem nenhuma variação importante. Bem, então vamos pensar e encontrar algo para fazer. Ah... sim. Já sei, vou escrever algo! Passo em revista o passado e escolho um fato que pode não parecer muito importante mas que foi marcante para mim. Foi uma grande emoção, me produziu muita adrenalina como diz a moçada hoje. Imaginem, o meu primeiro tiro com espingarda de verdade! Passando diretamente da espingardinha feita com cano de flande de lata e mola, com uma rolha na ponta amarrada de cordão para que pudesse ocorrer a sua recuperação. Foi coisa que nunca será esquecida, como não o foi e nunca será. Com a minha idade de 9 ou 10 anos, dar um tiro com espingarda de cartucho de verdade! Não, há coisas que a gente não esquece e essa foi uma delas. Tenho vivo na memória, como se tivesse acontecido ontem. Saímos cedo lá da casa do meu avô materno, na Av.Getúlio Vargas que hoje todo mundo conhece como Avenida Oceânica e caminhamos em direção ao ponto do bonde que ficava em frente ao armazém do Seu Apolinário, o galego. Naqueles tempos os espanhóis que existiam aqui eram galegos. Tratados como galegos, que passou a ser sinônimo de gringos. Bem, o ponto do bonde ficava bem no fim da avenida onde ela se junta com a rua da Paciência. No passeio do armazém que ficava numa esquina, que era de secos e molhados e onde hoje há uma vidraçaria com uma pintura chamativa porque muito sem gosto, na minha maneira de gostar. O bonde, amarelinho, cor oficial da Cia Linha Circular, tinha a bandeira nº 16, indicativo de AMARALINA . Você já imaginou, pelo menos nos dias de hoje, tomar um bonde ou outro transporte porque bonde não existe mais aqui em Salvador, com uma espingarda nas mãos? Pois foi o que o meu avô fez. A arma, dobrada, cartucheira na cintura. Era uma calibre 28 francesa, com a face externa sextavada, muito bonita, diria mesmo elegante. O bonde chegou, subimos e partimos para Amaralina. Passamos pelo Capim das Freiras, onde havia a Escola Don Bosco, ganhamos a Rua da Paciência, com casas dos dois lados, um deles dando fundos para a praia . No Capim das Freiras, havia uma coluna de granito com um medalhão em bronze, homenageando o jornalista Euricles de Matos, que tomou destino ignorado por ocasião do alargamento da rua da Paciência. As casas do lado da praia terminavam onde começa a praia de Santana. Ainda se pode constatar parte da fundação do palacete da família Rafael Menezes. Seguimos passando pela praia de Santana, pelo que sobrou do Forte do Rio Vermelho, onde hoje está a nova igreja de N.Sra. de Santana, que aproveitou parte das fundações do forte, pela Mariquita, logo adiante pelo Hospital Nita Costa, do qual só existem ruínas, pela velha fábrica de papel da qual resta a chaminé que dá nome a um posto de gasolina, pelo quartel do 4º GMAC, com os seus canhões apontados para o mar. À nossa esquerda, mato e à direita, o oceano Atlântico até o ponto final do bonde, onde existiam apenas um quiosque de baianas do acarajé e um bar que resiste ao tempo, mas que ficou como sempre foi, cada vez mais deteriorado. Terminou a viagem. Ali, viravam os bancos do bonde para a viagem de retorno pela mesma linha, pois só existia uma para os dois sentidos. O motorneiro mudava os comandos para o motor que tinha estado na trazeira, levava as suas manivelas e pronto. Recomeçava uma longa viagem até a praça da Sé. Dali do largo, tivemos que fazer um trajeto a pé que incluía atravessar um campo de futebol já sob um sol muito forte. Não havia nada no local, a não ser lá distante, um grupo de casas modestas. O solo era de areia, com vegetação rala e rasteira . O calor era forte. Vinha do sol e já emanava da areia quente. Calor, vegetação rasteira, areia e mar. Este era o ambiente e a paisagem. Lá longe, um pequeno conjunto de casas isoladas entre algumas árvores e no meio do nada. Numa delas, morava o companheiro do meu avô, se não me engano, um pintor, pintor de telas, um artista de nome Bellani, também italiano. Estava na hora! De espingardas em punho, duas, claro, os dois se embrenharam no que chamavam de mato e eu atrás. Sempre atrás, por recomendação do velho, à procura de passarinhos. Não foi mesmo uma caçada. Deveria ter sido uma passarinhada, de preferência de sabiás, que eram uma praga. Era o que se esperava encontrar, mas não tiveram sorte, para a felicidade dos passarinhos ou sabiás. Chegamos tarde! O sol, mais forte ainda, com a areia emanando muito calor os passarinhos não voavam! A movimentação da caça começa pela manhã bem cedinho e pela tarde quando ela vai começando a dar lugar à noite. Já estávamos voltando quando o "nonno" pegou uma folha seca, espetou-a em um espinho de mandacaru alto, me deu a espingarda carregada, sempre ao meu lado e muito cuidadoso, disse: tome, aponte para a folha e atire!... Puxa, as pernas ficaram moles e começaram a tremer! A tremer como varas verdes ao vento, mas eu estava possuído de um misto de medo e encantamento, porém determinado. Eufórico! Eu ia dar um tiro de verdade! E depois, contar para os meus amiguinhos! Nossa!...Tomei a arma com ele me ajudando e corrigindo a posição da coronha no ombro e apontei ainda incrédulo e trêmulo, para a folha espetada no espinho do mandacaru. Visava a folha, mas a bolinha na ponta do cano teimava em andar de um lado para o outro e a subir e a descer e eu não conseguia firmá-la... O "nonno" falou: aponte firme e aperte a coronha bem apertada no ombro. Fiz o que pude. Quando achei que estava com a mira certa, fechei os olhos e apertei o gatilho. Bum! Com o tiro, recebi um forte coice no ombro direito mas não caí, deu para segurar! Ainda pude ver o braço do mandacaru caindo com a folha espetada. Não acertei na folha, mas pelo menos atingi o mandacaru. Nada mal para um primeiro tiro, consideradas as circunstâncias, não acham ? Acertar no galho do mandacaru foi mesmo uma façanha! Não dá para esquecer. Nem do tiro, nem do velho...! Ainda vejo o mandacaru caindo quase que vagarosamente, para o seu lado esquerdo...

Esta pequena história aconteceu ali onde hoje está o bairro da Pituba . A casa do amigo Bellani, estava exatamente onde hoje é a rua Ubaranas. Quem diria, hein?... Na praia, havia uma construção de um médico famoso. Do Dr.Bureaux, uma casa em forma de navio com a proa apontada para o mar e Itapoã: era uma vila de pescadores da qual se ouvia falar, mas não havia estrada para chegar lá. Só indo a pé, e pela praia ! Tudo muda o tempo todo não é verdade? A cidade cresceu, e como!!!

Foto baixada da Internet

Sarnelli, 25.12 2008

terça-feira, 23 de dezembro de 2008







P a s s e i o de ô n i b u s

Já tem tempo que fiz do busão o meu melhor meio de transporte. Raramente pego o carro, só em caso de absoluta necessidade . Usamos o carro , eu e a minha mulher, evidentemente , para irmos aos supermercados e ou outra necessidade que justifique o seu uso. Do contrário, eu, pelo menos, adotei o ônibus e é nele que me movimento por quase toda a cidade...
Já é costume , aproveitando a minha terceira idade e o fato de que tenho o privilégio que o tempo me deu de viajar de graça, que uso os ônibus. Entro pela porta da frente e já nem preciso mais mostrar a certeirinha porque está na cara que o prazo de validade da minha juventude está vencido...
Normalmente , me acomodo em uma das poltronas na frente , quase sempre cedida por um jovem prestativo, de onde posso curtir o panorama, mas, o mais interessante, é que nos passeios, sempre surge alguma coisa , alguma conversa interessante e você segue viagem sem se preocupar com o trânsito, com o engarrafamento , uma vez que o motorista é que é pago para isto ! Já pensou , você sair para passear dirigindo o seu próprio carro ? Que coisa chata ! Você não pode apreciar coisa alguma, tem que estar atento à direção e ao tráfego, às sinaleiras, e ,ainda, sofrer com os engarrafamentos que estão por todas as vias em que você se enfia ! Hoje, a coisa não está fácil ! A cidade não comporta mais veículos . Enquanto as montadoras se esforçam para colocar mais carros nas ruas, seduzindo a população para o consumo , para que comprem , comprem, oferecendo descontos e vantagens . Até o Presidente Lula, face a crise atual , aconselha ao povo que compre, que compre, para manter o comércio e a indústria aquecidos...ao tempo em que demissões vão acontecendo !
Na verdade , prevejo que vamos ser sufocados em cidades como a nossa , por veículos que não conseguem mais andar, porque presos no trânsito ...Basta chover um pouquinho e, então, se estabelece o caos ! Se um carro , simplesmente encosta em outro, pára tudo ! Se há uma manifestação de rua , você sofre, ainda mais se for num dia de verão com a temperatura na casa dos 32º.
Não, definitivamente, não dá mais para andar de carro. Me divirto muito mais usando o busão, Vou onde quero , subo num ônibus aqui, desço adiante, pego outro e assim vou indo sempre em frente sem me preocupar com nada , muito menos com a necessidade de voltar para pegar o meu carro em um estacionamento qualquer que me deu trabalho para achar e que, ainda por cima, custou caro...O trânsito e os engarrafamentos , sobretudo problemas com o veículo, se ele encrencar, ficam à cargo do motorista e eu não vou precisar me estressar por isto. Simplesmente mudo do ônibus ! Tem dias que, no fim da tarde, vou fazer a conta dos meus trajetos e percebo, surpreso, que subi e desci de mais de dez coletivos...e que andei por boa parte da cidade, Vi coisas, falei com turistas , fotografei paisagens e arranjei assuntos para os meus escritos...Demorei muito para descobrir que o vício , ou a necessidade do carro, nos tira boa parte das coisas interessantes que acontecem durante os dias , convivendo com as pessoas que fazem a população da cidade, cada uma com a sua história particular e à procura de alguém a quem contar para desabafar... Dentro do carro ,de certa forma, você está fora do mundo ! Feliz ou infelizmente, há momentos em que ele é necessário, mas, pensando bem, na maioria das vezes, ele pode ser dispensado . Sempre que puder, dispense o carro, contribuindo para diminuir a poluição e você vai ver como é interessante se tornar um pedestre e conviver com os diversos tipos de pessoas que circulam pelas ruas... Você não imagina quantas histórias vão aparecer !...

Na volta para casa, procuro sempre um transporte que faça a rota da orla, pois eu tenho, todos os dias, a necessidade de ver o mar e olhar para o horizonte !...

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Foto de Sarnelli

domingo, 21 de dezembro de 2008

Caravela " Príncipe Regente " - F.São Marcelo



Passeio ao Forte de São Marcelo - Caravela Principe Regente

Brasil 500 anos“ Nau capitânea “ e a caravela “ Príncipe Regente “Para os festejos dos 500 anos do Brasil, entre outras tantas homenagens e festejos, foi idealizada a construção de uma réplica da “ Nau Capitânea “ , de Cabral , que deveria ser a dona da festa. Todos os recursos foram disponibilizados para que a nau fosse um sucesso absoluto, mas o que se viu foi um verdadeiro desastre, quase mesmo uma tragédia !... Além da frustação do público ,diria, do país inteiro, houve prejuízos materiais de monta, que ultrapassaram a cifra de quatro milhões de reais .Todo, dinheiro público ! Logo na primeira saída , a “ Nau Capitânea “ deu chabú...Não passou da barra do porto, e voltou rebocada...Depois de mais outros três fracassos, com, evidentemente um ocaso melancólico, a tão sonhada nau foi servir de cenário para um filme que ninguém até hoje viu. A nau que não navegou e que quase não flutuou, foi construída com a disponibilização de todos os recursos modernos e por profissionais tidos como habilitados. Houve até um engenheiro naval francês que, depois de tantos revezes, desapareceu e ninguém nunca mais ouviu falar dele...Uma réplica de uma nau da frota de Colombo, foi construída por artesãos em estaleiros no sul do estado e, hoje, uns 5 anos depois, navega tranqüilamente pelo mundo transportando uma biblioteca flutuante.Agora, temos uma nova réplica, desta vez, também uma caravela, construída por operários baianos que flutua e navega , quem diria !... É, como se poderia dizer : o“ Titanic“ foi construído por profissionais e a arca de Noé, por amadores !... Esta nau da qual estou falando, é a “ Príncipe Regente “ , que tem as seguintes caractarísticas :
comprimento : 15 metros - largura : 4,6 mts. - motor e velamastros : 4 - madeira utilizada: jaqueira - ano de fab: 2008capacidade:para 50 passageiros - 3 tripulantes e 10 toneladas de carga
Dispõe de todo o equipamento de salvatagem ( 57 coletes ) - 2 boias circulares e conta também com equipamento para sinalização sonora e luminosa para o caso muito improvável de uma eventual necessidade. Estes dados me foram fornecidos gentilmente pelo Cel. Anésio Ferreira Leite, Diretor Presidente da Abraf – Associação Brasileira das Fortificações Militares e Sítios Históricos – numa minha visita ao Forte de São Marcelo, em Salvador.
Uma visita ao Forte de São Marcelo é indispensável para os baianos e para aqueles que vêm curtir o verão de Salvador . A caravela “ Príncipe Regente”sai do pontilhão do forte e realiza trajetos dentro da Baía de todos os Santos , oferecendo a oportunidade de se ver a cidade dos dois andares, do mar. São trajetos seguros e de curta duração e o passeio pode se tornar inesquecível, se o dia estiver ensolarado , se a caravela navegar em mar sereno , com vento ameno , que alivie um pouco o calor do sol. Como dizem agora: é um passeio imperdível, inesquecível, ver o forte e curtir Salvador do mar, a bordo da caravela “ Príncipe Regente “ .Este blog foi configurado para receber comentários e sugestõesFoto e texto de Sarnelli – 20.12.2008A “ Príncipe Regente “ está agregada ao Forte de São Marcelo “

sábado, 20 de dezembro de 2008

Minhas recordações da Maria Fumaça - final


O p i r u l i t o

Eu sempre escolhia uma janela do lado do mar. Tinha uma desvantagem, porém , porque , volta e meia , era atingido por uma fagulha cuspida pela Maria Fumaça que sempre acertava em um dos meus olhos. Era sempre aquele drama até resolver a situação, mas, quem disse que eu desistia do meu lugar ? Estava sempre na janela e com a cabeça do lado de fora, sempre com o mesmo resultado. O problema das fagulhas , da fumaça e das cinzas eram tão sérios que, estou lembrando agora, muitos passageiros viajavam usando guarda-pós, comumente brancos. No trajeto havia diversos túneis. Se não me falha a memória , uns três . Pois bem, quando o trem entrava em um deles , era hora de respirar fundo ! Os vagões ficavam cheios de fumaça como se estivessem pegando fogo , acredite , por favor...Não é invenção minha não ! Mas quem disse que eu deixava a janela ? Era o de sempre. Acostumado com a história, meu avô tirava o lenço do bolso e limpava , delicadamente, os meus olhos lacrimejantes. À esta altura, já estávamos chegando à primeira parada. Outras aconteceriam durante a viagem . Em cada uma delas aparecia um formigueiro de vendedores. Taboleiros, bandeijas de amendoim, cocadas, mingaus, bolos , milho, pipoca e uma infinidade de outras coisas, todos apressados, pois tinham pouco tempo.. Muita gente descia do trem para tomar alguma coisa no bar da estação mas tudo tinha que ser feito às pressas pois as paradas eram curtas. Alguns minutos apenas. O apito do Chefe da estação, a Maria Fumaça começava a resfolegar e, lentamente arrastava atrás de si a composição aproximando-nos cada vez mais do nosso destino. As paisagens começavam a, novamente, a passar por nós cada vez mais velozes .À esta altura, o dia já ia se apagando e a escuridão tomando conta de tudo. Aos poucos, a paisagem desapareceu mas começavam a surgir as estrela . Não havia mais nada para ver lá fora, só o céu com as suas estrelas. E agora, o tédio de uma viagem monótona ! O que fazer ? dormir com o balanço do trem até ser acordado já em Mata ? Era o melhor, a viagem seria mais rápida. Vamos, acorda, chegamos ! Puxa, parecia que eu havia dormido uma eternidade. Quando somos crianças , o tempo não passa , tudo demora. A estação, iluminada e barulhenta. Um formigueiro de gente num corre corre maluco, alucinante, para tomar um café e comer um pedaço de bolo antes que o trem partisse. Tomar um mingau...Era um verdadeiro caos e, quase sempre , o dono do bar levava uns porretes de passageiros que largavam tudo sobre o balcão e saíam correndo atrás do trem... E, por falar no dono do bar, o cara era a cara do detetive chinês Chales Chan, sem tirar nem por . A estação, como todas as outras, era uma plataforma elevada e ficava entre as duas linhas. Podia acontecer, e era comum, de dois trens entrarem ao mesmo tempo, um subindo, o ouro descendo. Aí, então, a confusão era generalizada. Ninguém entendia ninguém . Aliás, nem era confusão. Era o caos mesmo. Mas era isto que interessava . A ida à estação para receber os trens, era o momento mais importante do dia.. Ir receber o “ Pirulito “ e ver os amigos e parentes chegados da “ Bahia “. Era o único acontecimento numa cidade monótona durante o dia. Afora isto, a exceção era o aparecimento ocasional de um circo com números que já conhecíamos de outras passagens...Os espetáculos e até mesmo as piadas eram sempre iguais , mas davam para o gasto. Melhor do que nada, não é ?Modificava um pouco a vida noturna da cidade que começava a adormecer quando o sol se escondia por trás das matas. Como não podia deixar de ser em cidade do interior, havia e ainda deve haver, a feira dos sábados no mercado Municipal. A chegada do “ Pirulito “ é que era o momento culminante do dia. Ver algumas pessoas chegando, outras voltando e, o que era melhor, saber as novidades mais novas da Capital. As novidades da Bahia ! Naqueles tempos, a Bahia era Salvador !... Como os meios de comunicação não eram os de hoje, os recém-chegados , com todas as novidades, eram motivo de atenções especiais e se aproveitavam para se darem ares de importantes, mesmo que passageira, afinal, acabavam de voltar de uma viagem, estavam voltando da Bahia, apesar de haverem rodado não mais que setenta quilômetros !
Mas o “ Pirulito “ já estava, novamente, de saída, Tinha que rolar por muito trilho até o final da viagem Piuiii...Piuiii...Piuiichan...chan...chan.. e lá se ia ele fungando e se embrenhando na escuridão da noite até que não se via nem se ouvia mais nada. Acabou. Já chegou, já foi, era hora de tomar o caminho de casa. A pouca ou quase nenhuma iluminação das ruas ia nos engolindo enquanto íamos deixando, ao longe, a estação ainda iluminada , mas que , aos poucos, escurecia também , até restarem apenas algumas poucas lâmpadas acesas gerando uma iluminação pálida que emprestaria ao resto da noite um aspecto lúgubre de velório. Nas ruas, alguns lampeões a carbureto com aquele seu mau cheiro característico ou a querosene quebravam a escuridão de vez em quando. Quando era noite de lua , tava tudo legal. Nem acendiam os lampeões . O céu era mais bonito e se viam mais estrelas ainda . Você já olhou para o céu, à noite, quando ele está estrelado e quando não tem à sua volta iluminação alguma ? Nossa, que coisa linda ! Indescritível . É, simplesmente, encantador !
Bem, a estada em Mata poderia durar alguns dias , não me lembro quantos. Sempre chegava o dia e a hora de voltar. E a volta começava ao ter que acordar cedo Para não perder o trem . Pelas ruas, neblina e um friozinho gostoso. Eu adorava e ver uma fumacinha sair da boca, era como se eu estivesse fumando. Me divertia. Não dava para entender mas eu gostava da brincadeira. Esta era a pior parte do passeio , sair da cama correndo. Engolir um café e sair com o pão nas mãos.... Mas, em compensação, na volta para casa , tinha a outra parte da viagem que eu mais gostava. O vovô, ou melhor, o nonno, já sabia... Estava careca de saber que tínhamos que descer em Plataforma, atravessar novamento o Porto dos Tainheiros de canoa para irmos tomar o bonde na Ribeira, que nos levaria até a Praça Cayru. A travessia era a melhor parte da viagem, a que mais me dava alegria. Enquanto a canoa vencia a distância eu brincava com a água do mar, naquela oportunidade limpa e transparente. Uma beleza. Dá para acreditar que o Porto dos Tainheiros já foi assim ? Pois é,..foi mesmo . Uma água fresca, gostosa . O Porto dos Tainheiros era um local limpo e saudável antes de começarem a aparecer as palafitas. Aliás, era nele que desciam os famosos Catalinas que cruzavam os céus do Brasil e desciam em Salvador. Ainda hoje existe a estação de passageiros, mal cuidada , é claro, mas está lá para contar a história . Os Catalinas eram feios, pesados, mas eram lindos vê-los amerizar. Desciam desajeitados, abrindo grande quantidade de água com espuma e, vagarosamente se aproximavam do seu local de atracação com direito a âncora também.. Para subirem, até pareciam que iriam precisar de todo o oceano , mas acabavam subindo e subindo e, aos poucos iam diminuindo até se tornarem um ponto no espaço que também desaparecia... Não me lembro exatamente os dias em que fazíamos as nossas viagens , mas eram constantes. Naqueles tempos, ninguém tinha compromisso com o tempo , muito menos o meu avô , que era escultor. Trabalhava quando queria e quando tinha inspiração. Aliás, eu acho mesmo que o tempo não dava bola pra ninguém porque tínhamos tempo para tudo e ainda sobrava e nem sabíamos o que fazer com ele... O tempo não passava e o ano nunca acabava. As férias demoravam para chegar, Hoje, o tempo avoa ! Olha , gente. Na história do “ Pirulito “ eu estava esquecendo de dizer que a Maria Fumaça não andava só. Tinha uma companheira, e barra pesada, Lindona ! Igualzinha a ela , porém , mais nova e cheia de cromados e dourados , tudo bem polido e lustroso . Uma maravilha ! Outra Maria Fumaça que não era apenas outra Maria Fumaça. Era coisa fina. Era a nossa Maria Fumaça , toda produzida e bem cuidada. Linda de morrer ! Quando apontava na curva chegava fazendo um bruta estardalhaço – Piuiii...piuiii...piuiii... e badalando o sino reluzente . Entrava imponente , resfolegante , na estação, lançando nuvens de vapor por todos os lados, dizendo: gente, cheguei ! OI eu ! E agora, depois de tantos anos, mais de meio século , onde andarão as nossas Marias Fumaça ?Dá dó só em pensar que possam estar em algum entroncamento ferroviário abandonadas e entregues à própria sorte para serem consumidas pelo tempo e devoradas pela ferrugem. Eram tão lindas !
Ah, sim, outra coisa que eu estava esquecendo. Durante as viagens para Mata tanto na ida como na volta, evidentemente, tínhamos o mesmo problema. Enfrentar os túneis da estrada. É que, ao transitar por eles, a fumaça das locomotivas, lançada neles invadia os vagões incomodando os passageiros. Era um incômodo que durava alguns minutos ainda depois que as locomotivas saíssem dos túneis para conseguirmos ar puro...Só vendo ! Era por isso que algumas pessoas viajavam de guarda-pós. Para preservar os seus ternos de linho branco irlandês, muito em voga na época. Coisas de antigamente. As coisas, de certa forma, melhoraram , mas sinto falta de como eram antigamente. Não dá para esquecer, não é mesmo ?
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Foto de Sarnelli

Sarnelli, 15.12.2008.




sexta-feira, 19 de dezembro de 2008

Meu passeio ao Forte de São Marcelo



Salvador através de uma das janelas do Forte

Salvador, através de uma das janelas do Forte
Passeio ao Forte de São Marcelo em 18.12.2008Novamente acordei pensando no que fazer na manhã de sol que estava nascendo e que eu via através da janela ...Acordei, mas não estava desperto. Foi então que me lembrei que a minha digital já havia sido reparada e disse para a minha mulher : nega, vou até o Forte de São Marcelo . Me preparei , tomei um café e peguei a pista, como diz a D.Ester, a moça que ajuda aqui em casa...Desci na Praça Cayru, em frente ao Elevador Lacerda e caminhei até o prédio da estação de embarque de passageiros que utilizam as lanchas que vão para o Recôncavo , sob o sol das quase 9 horas da manhã , que já estava bastante forte. Na estação, uma enorme confusão. Muita gente querendo viajar para diversos destinos e uma desorganização completa num espaço tão pequeno .. Não encontrei o rapaz que atende os passageiros que vão ao Forte. Consegui passar pelo portão com a desculpa de que só queria tirar algumas fotos. Percebi que perdi a lancha que faz o pequeno trajeto, mas fui na terceira viagem Apareceu uma turma enorme de estudantes de Direito de uma Faculdade do Interior. Fizemos o trajeto em poucos minutos, talvez , três, sei lá..Sete mangos cada um. Não respeitaram nem a minha idade, mas fiquei feliz em contribuir. O Forte é um patrimônio que precisa ser mesmo preservado . Mais do que um Forte, é um monumento e um outro cartão postal inconfundível de Salvador. Dele, a vista da cidade é um espetáculo . Se divisa todo o porto, onde estava atracado um grande e imponenente navio de passageiros, com o casco branco. Havia também duas unidades da nossa Marinha . Cliquei quase uma centena de fotos , conversei com pessoas , brinquei com elas e troquei endereços. Quer dizer , fiz novas amizades. Chegou a hora da partida da caravela “ Príncipe Regente “ que levou uns visitantes estrangeiros para um passeio marítimo nas águas tranqüilas da Baía de Todos os Santos e eu pedi a lancha para pegar o caminho de volta para casa. Soube , à noite, através de contato via micro, que os nossos visitantes ficaram encantados com o passeio , realizado numa réplica da caravela “ Pinta “ de Colombo , que deslisou suavemente sobre as águas da Baía .. num belo dia de sol de verão , agraciado pela tranquilidade das águas do mar...Ver a cidade dos dois andares do mar, é uma delícia e um privilégio , algo inesquecível.O dia foi muito bonito, hoje ,verão à moda da casa , com a temperatura chegando aos 32ºC . Foi um esforço enfrentar os trajetos, tanto sol, mas o passeio valeu a pena . Ir ao Forte de São Marcelo é um passeio que todos os baianos devem fazer e os turistas também ...Se você , de fora , vier à Salvador neste verão, não deixe de programar uma visita . É até uma obrigação conhecer e pisar naqueleforte circular construído dentro do porto marítimo de Salvador, dentro da água mesmo, gente , ao qual só é possível o acesso de barco ou à nado, se você for um bom atleta !... É o melhor lugar da Bahia , para se ver a cidade dos dois andares. A não ser que você chegue de navio...Sarnelli , 18.12.2008
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