segunda-feira, 31 de março de 2014

Coisa do Rio Vermelho e os seus 465 de fundação



Com



Como todos nós sabemos, Salvador foi fundada,  oficialmente , no dia 29 de março de 1549,  num sitio previamente selecionando , visando segurança e o domínio da baía contra piratas e invasores holandeses ,  do que ocorreu ter sido ela construída em dois planos , gerando as conhecidas cidades alta e baixa, interligadas, originalmente por elevadores rudimentares, dos padres,  tanto que existe uma rua , na parte baixa da cidade, com o nome de Guindaste dos padres. Com o tempo, mas muito tempo depois,  veio o famoso Elevador Lacerda, cartão postal da cidade , o Plano Inclinado Gonçalves , o do Taboão ( que não existe mais – virou sucata ), de Santo Antonio e, finalmente o da Liberdade. Uns funcionam, outro não existe mais e alguns estão em fase de manutenção...

Da parte alta da cidade, temos uma visão maravilhosa da Baía de Todos os Santos, descoberta pelo navegador genovês, Amerigo Vespucci, no dia 1º de novembro de 1501. A baía , que tem um espelho d’água de mais de 1.000 Km2, abriga alguns fortes, o mais conhecido ,  o de São Marcelo,  que está dentro do porto comercial,  totalmente dentro d’água, construído que foi sobre uma coroa de areia e pedra e é uma construção praticamente circular, outros fortes, uma base naval , um atracador para navios que carregam minérios, um porto para embarque de automóveis , um Yacht clube e ainda um
terminal marítimo para as operações da Refinaria Landulfo Alves,  mais de 50 ilhas, sendo a mais conhecida a de Santa Cruz, ou seja, Itaparica. A Baía de todos os Santos é a maior do Brasil.
Mas ,  Salvador, já tinha história para ser contada a partir do atual bairro mais boêmio da cidade e celeiro de artistas, antes mesmo de ser fundada. O mais conhecido Deles - Pasquale De Chirico , que deixou muitas obras , apenas para citar duas, o Christo da Barra esculpido em mármore de Carrara e o monumento ao poeta maior, Antonio de Castro Alves em praças da cidade , foi morador pioneiro no Rio Vermelho e os escritores que também moravam no Rio Vermelho , na famosa casa da rua Alagoinhas n. 33,   sendo, praticamente meus vizinhos, o nosso Jorge Amado e Zélia Gattai. É... eu moro em zona nobre o e o IPTU descobriu-me por aqui... Personalidades , ajudavam ainda a destacar o Rio Vermelho, lindo como ele só, graças a Deus, que lhe proporcionou uma natureza maravilhosa. Não só a boemia ! No Rio Vermelho há cultura também .
Bem, a história que eu prometi contar .  começou por volta de 1510/1511 quando, durante uma tempestade ,  um barco cujo nome se desconhece , caravela ,  tenha sido lá o que tenha sido, naufragou nas costas do Rio Vermelho , não se sabe em que ponto,  quando apenas uma pessoa, provavelmente um tripulante, se salvou porque conseguiu se abrigar num rochedo bem na foz de um rio que fica no seco quando a maré vaza. Coincidentemente , fora dar nos domínios de uma tribo tupinambá que habitava o local hoje conhecido como Mariquita e que já foi conhecido também como aldeia dos franceses . Foi descoberto pelos índios, todo esfarrapado, coberto por algas e foi logo denominado de “ Caramuru “... uma coisa estranha saída do mar. Na verdade, caramuru é um peixe com uma dentada perigosa que habitava em abundância as locas da costa, que, com o tempo , desapareceu das nossas praias . Ainda bem ! Acolhido e tratado,logo fez amizade com os índios, notadamente com as índias e terminou por se casar com a filha do chefe que mais tarde foi batizada com o nome De Catharina Paraguaçu , mas, nem por isso deixou de freqüentar as outras. Era disputado entre elas, dizem que por ter sido bem aquinhoado pela natureza. Por isso, muito contribuiu para ir formando a população ,  deixando uma enorme descendência...Caramuru, que não se sabe se era francês ou português , apesar de ter nascido em Viana de Castela ( Portugal )  foi uma figura muito importante no relacionamento entre os índios e os contrabandistas franceses que traficavam o pau Brasil. Foi de vital importância, também , quanto aos preparativos para o recebimento de Thomé de Souza, fidalgo português, enviado pela coroa para fundar a cidade de Salvador.
Muito se fala sobre o Diogo Alvares Correia , o Caramuru , pois algumas pessoas acham que a história de Salvador começou no Rio Vermelho embora a cidade tenha sido fundada em 29 de março de 1549 . Entre o naufrágio e a fundação da cidade, transcorreram quase 40 anos . Para mim, o Caramuru não descobriu nada. Dizem e insistem em que ele descobriu o Rio Vermelho ,  mas, para mim, quando ele por aqui chegou,  o Rio Vermelho não existia ! Existia uma aldeia de índios tupinambás. Ele foi apenas um náufrago  e náufrago não é descobridor de coisa alguma , é apenas alguém que se salva , graças a Deus ... mas que se tornou importante  na história do Brasil. Na primeira foto,observe ue aparece a Pedra da Concha que deu abrigo ao náufrago.
O que existe mesmo, na minha opinião, é que o Rio Vermelho que sempre foi conhecido como o bairro dos artistas, chegou a ser uma área de veraneio dada a sua distância da cidade de onde só se chegava por meio do transporte da época, o bonde,  e , posteriormente começou a disputar o título de o bairro da boemia com o do bairro dos artistas, já que à noite o movimento é intenso.  E é, também, uma das visões mais bonitas da cidade, podendo ser apreciadas de diversos ângulos . Tudo isso favorecido por um verão de 365 dias ao ano ! Não chega ?
Este texto não é a verdade histórica . Foi escrito sem nenhuma pretensão literária , muito menos  contrariar o que se considera os fatos ...É apenas a minha maneira de ver e de contá-la sob a minha visão e interpretação, mesmo porque não sou historiador ...
No Rio Vermelho , além de toda a sua beleza natural , você pode desfrutar de uma boa noitada e curtir os melhores acarajés de Salvador, pois as baianas mais famosas se concentram nele. De barriga vazia não fica, pois o que não falta no bairro ,  são restaurantes e churrascarias... As noites são de muvuca !
 
Não se esqueça de incluir no seu roteiro das próximas férias , a primeira capital do Brasil. 

Vale a pena !

em 29.03.2024                                                        Salve Salvador !!!


domingo, 9 de março de 2014

É quando a educação faz a diferença !


                                   

                                      Postagem sem texto. Totalmente desnecessário, considerando-se que uma imagem vale por mil palavras...

sexta-feira, 21 de fevereiro de 2014

A praga dos telefoninos...






Ainda a praga dos celulares .


Não faz muito tempo escrevi algo sobre este mesmo assunto e hoje volto  a estar vivendo uma nova experiência ...
A secretária que esteve aqui em casa por exatos seis anos e que pediu demissão na ocasião que lhe parecia mais oportuna, era dona de um celular através do qual monitorava toda a família o dia inteiro ,  o que quer dizer que durante todos os dias andava ,  praticamente ,  com o celular grudado em um dos ouvidos . De passagem, é preciso assinalar que ela tinha uma família meia complicadinha  o que fazia do celular um instrumento de grande valia na administração da sua família. Tivesse demorado mais um pouco aqui em casa, provavelmente ela teria aproveitado a idéia de colocar em cada membro da família,  uma tornozeleira, que está na moda, para controlar a movimentação de cada um dos seus membros... Pois bem , esta fase já passou e já não se fala mais nela porque é passado. Só que me lembrei dela ao ler a crônica de um amigo que anda chiando com os odores emanados de uma cozinha industrial instalada na sua rua, quase em frente a sua casa , em condições inadequadas, causando uma série de inconvenientes. Puxa, eu sempre me desvio da minha rota mas volto a ela. Era necessário providenciar imediatamente uma substituta porque não podemos eu e a minha mulher prescindir de uma ajuda nos trabalhos de casa. Conseguimos , com uma rapidez incrível  ! Aliás, até mesmo antes de expirar o prazo para que a demissionária se fosse , já havíamos contratado a atual,  que pegou no batente a partir do dia 2 de janeiro. Começou o ano conosco. Jovem, legal, de bom temperamento, prestativa , interessada pelo seu trabalho e até certo ponto perfeccionista, o que é uma raridade,  e com uma tendência nata para cuidar de idosos . Melhor, não podia ser !
Mas , sempre tem um porém ! Não conseguimos resolver o problema do celular ... neste sentido, as coisas continuam as mesmas ! 

Neste aspecto, foi o mesmo que trocar seis por meia dúzia !


Rio Vermelho ,19.02.14                                                  Sarnelli
Salvador/Ba


domingo, 9 de fevereiro de 2014

O celular na vida doméstica




A praga dos celulares

   Como seria a vida sem os celulares hoje ?

Foi um amigo que me inspirou a escrever esta pequena crônica, após eu haver visto uma sua,  provocada por uma vizinha na sala de cinema que, apesar de estar escura e com um filme na tela, não desgrudava do seu celular para conferir as suas mensagens.  Advertida, continuou a usá-lo dentro da bolsa sem deixar , no entanto, de continuar  a incomodar,  mas esta é a história do meu amigo. A minha também tem a ver, e muito, com celulares. É a epidemia do momento e diria que a doença pegou a todos de um modo geral sendo que é facílimo encontrar-se pessoas com dois ou mais celulares e ainda grudadas em jogos eletrônicos o dia inteiro, com esses tais de tablets , o que faz com que essas pessoas, geralmente jovens, se alienem totalmente do mundo real.
Os celulares têm muitas utilidades e eles estão por todos os lugares . Ocuparam tanto espaço e se alastraram ao ponto de muita gente não deixar de aproveitar um tempinho , mesmo enquanto está no trono , para para fazer alguns contatos Se o cara, lá do outro lado, perguntar: onde você está ? Certamente a resposta poderá ser: na praça de alimentação do shopping... Mas eles também freqüentam os consultórios médicos, ou seja, as salas de espera, onde algumas pessoas se aproveitam para fazer ligações ,  mantendo longas conversas e dando um monte de ordens para quem está na outra ponta, dando a parecer que está administrando um império , já que hoje em dia não se pode perder tempo porque: time is money , dizem ou diziam os ingleses e as 24 horas do dia não são mais suficientes,
Foi assim que há algum tempo, estando sozinho em Salvador pois a minha mulher estava em S.Paulo visitando a irmã, resolvi fazer um dia diferente e fugir dos badófios que a minha secretária do lar conseguia produzir , mas sem variar. Já tinha enjoado! Para não andar muito , procurei um restaurante mais perto de casa  e acabei escolhendo um na praça de Santana. Eram 11,45 quando entrei, salão vazio ,  mas os alimentos já estavam dispostos no “ banho Maria “ Me servi, escolhi uma mesa da qual eu pudesse olhar para a rua, sentei-me e comecei a minha refeição. Logo a seguir entrou um senhor, se acomodou logo atrás, de mim,  num salão onde somente eu estava, espalhou uma papelada sobre a mesa e começou a fazer ligações em voz alta , discussões , raciocínios , etc. Claro que me senti incomodado. Virei-me para trás e lhe disse: senhor, com um salão tão grande e uma praça enorme aí em frente ,  o senhor vem montar um escritório logo atrás de mim ? Por favor, desejo fazer a minha refeição em paz , isso, com cara feia ! Mas, mas é muito importante, respondeu ele ! Sim pode ser até que seja mesmo,  para o senhor , mas não para mim , que não tenho nada a ver com os seus problemas e seus negócios . Se convenceu, pegou o seu material e saiu do restaurante.Nunca mais dei de cara com ele...
Mas , a crônica tem uma outra finalidade.

Comecei pensando na minha antiga secretária ,  que nos serviu muito bem durante 6 anos exatos ,  mas não desgrudava do celular , que estava sempre no bolso da bermuda. Ela tinha e tem uma família complicada e era daqui que ela monitorava o seu pessoal. Ora ela chamava, ora era chamada , até que um dia me irritei e dei-lhe uma bronca, porque gastava um tempo imenso nessas tais comunicações. Tivemos que discutir o assunto, pois ela se achava que era um direito seu, inalienável, manter-se em comunicação com o mundo, incluindo a sua família, principalmente ! Se me lembro, até um tempo atrás, quando uma secretária quando precisava de uma ligação e até para atender a  uma, pedia licença à patroa,  mas hoje elas têm os seus celulares e quem vai discutir ? Eu andava irritado com tantas telefonemas , muito além do limite do razoável,   mas chegou um dia, ainda no ano passado, em que ela me avisou que só trabalharia até o último dia do ano, pois havia se aposentado. Não perdi tempo , e antes que ela se arrependesse , redigi a carta de aviso prévio dela para mim que foi devidamente assinada.
Precisava preencher a sua vaga e um amigo me arranjou justamente uma auxiliar que tem as características que eu e minha mulher necessitamos. Caiu a sopa no mel ! Saíu do último emprego porque a senhora que ela cuidava se foi . Espero que fique muito tempo por aqui,  só que o problema do celular continua...         Fazer o que ?

quarta-feira, 5 de fevereiro de 2014

Rio Vermelho de outros tempos ! Tudo o que ouvi dizer .





Ontem , um dia bastante quente , à tarde , dei uma saidinha com a minha esposa para ir até a pracinha do bairro, que é bem pertinho da minha casa, para curtir um pouco de ar que o mar costuma nos mandar e pegar um acarajé frito na hora e às nossas vistas, quando um jovem, portando um microfone sem fio onde estava estampada a logo de uma transmissora de TV,  se aproximou de nós que estávamos sentados num banco da praça e , após os cumprimentos de praxe, me perguntou se podia conversar comigo. Me perguntou se eu era um antigo morador do Rio Vermelho, fato que, evidentemente , confirmei, e se podia me fazer algumas perguntas. Começamos então a conversar. Respondi algumas perguntas espontâneas, ou seja, não havia um roteiro , todas elas interessadas nos esportes que se praticava antigamente no Rio Vermelho . Ele, claro, tinha poucas informações. Buscava por elas e, de minha parte, eu também, despreparado para uma entrevista desse tipo e porque os meus interesses nunca foram direcionados neste sentido. O repórter estava interessado num  hipódromo do qual ouviu falar.... Predominou a minha curiosidade , pois, voltando algumas décadas para trás, me lembrei de haver visto , uma única vez, no meio de um matagal, o que restou de algumas cercas de limites do que antes fora um hipódromo e onde realmente aconteceram corridas . O espaço onde tudo isto acontecia era o hoje Parque Cruz Aguiar. Longe da cidade , nos tempos em que ainda tínhamos estrebarias e estábulos. Quando o leite , na prática, ia diretamente das tetas das vacas para as xícaras  sobre as nossas mesas , depois de fervido , em nossas casas , levado até as nossas portas e vendido por litro, medido por uma caneca , algo que não se vê mais hoje em dia, inadmissível ! Mas, vamos voltar ao assunto desta minha crônica. Ouvi pouco ou quase nada sobre corridas de cavalos no RVO mas aconteceram durante algum tempo. O Rio Vermelho, na época, ficava longe do centro da cidade e só podia ser alcançado  por meio dos bondes, que podiam ser da linha 14 a normal  , o 15 que era a linha do Rio Vermelho de baixo e que vinha do Retiro por dentro do mato e do barro seguindo um traçado que hoje é a Vasco da  Gama , que chegou a ser conhecida como a Vasco da Lama, e o 16, “ AMARALINA “ , que passava pelo bairro e fazia a mesma linha que o 14 indo um pouco mais além, ou seja, até AMARALINA “. Todos eles chegavam  apinhados... e eram insuficientes.
Outro esporte , como não  podia deixar de existir, era o futebol.  Que teve, no Rio Vermelho , ao que se saiba, pelo menos dois times, o Botafogo e o Ypiranga que teve a sua sede na rua da Paciência , a antiga, antes de ser ampliada. Ficava ali bem pertinho do ex-Colégio Guiomar Guimarães . Me lembro que o Ypiranga treinava na Chapada , onde hoje é a Ceasinha. Do Botafogo, não me lembro nada. Tomei conhecimento de que os jogos mais importantes e os campeonatos eram disputados no Rio Vermelho. O pior é que é quase tudo na base  do ouvi contar, porque pouca coisa ou nada , ficou para contar a história.O turfe  obteve um grande sucesso, ao que se sabe , mas , mesmo assim, não durou muito tempo.Provavelmente  a dificuldade de transportes foi uma das causas que determinou o seu fim , mesmo porque a cidade estava crescendo e vindo ao encontro ao bairro... Os jogos, então, passaram a ser realizados no Campo da Graça e, posteriormente no Estádio da Fonte nova agora reformado e batizado, não oficialmente, como “Arena Fonte “ , por uma autoridade estrangeira , apagando o nome do ex-governador Otávio Mangabeira , o que considero uma grande injustiça , mas, quem manda não é a FIFA?...Tudo agora, que se pretenda fazer, tem que ser padrão Fifa !
Há registros de que outros esportes foram tentados, como, por exemplo , o Tênis , lá pelos anos 1920/30 , o “criquet” para o deleite dos ingleses, que teria sido praticado onde hoje é a Rua do Boi. O resto, aconteceu no espaço que hoje é o Parque Cruz Aguiar !
O mais estranho é que nos meus tempos de criança nunca ouvi falar destas atividades esportivas por aqui.

O Rio Vermelho, longe do centro da cidade, era tido como um local de veraneio onde o pessoal estressado da época vinha buscar alguma saúde nas águas salgadas , mas nas férias escolares dos seus filhos , já que diziam que o mar curava certas doenças...! Depois uns e outros foram ficando , construções foram surgindo , dando formação ao bairro !

Conversei com outro morador antigo do Rio Vermelho e lhe perguntei o que sabia a respeito. Ele, simplesmente, me respondeu que só sabia o que seu pai lhe havia contado e que, portanto,  não tinha visto nada disso ! Quer dizer: esta é a crôniva doque ouvi dizer e doque me contaram...