terça-feira, 1 de maio de 2012

O meu transporte preferido ( e único )na cidade de Salvador



                   O trânsito em Salvador e a administração pública
  1.  
  2. Todos nós sabemos como é o trânsito em Salvador, desde o humilde trabalhador que nos horários do rush , viaja de qualquer jeito e de qualquer maneira em ônibus velhos e mal tratados ,  de modelos diferentes , alguns sentados, a maioria, em pé e sem distinção de crianças, senhoras e idosos em geral.
  3. O engravatado executivo que passa horas de cada dia bloqueado nas vias da cidade , também sofre , porém na comodidade dos seus veículos cheirando a fábrica e curtindo um arzinho condicionado sob o forte sol tropical que ilumina e aquece o nosso dia a dia, algo que é para poucos, mas, mesmo assim, não podemos nos esquecer dos dias de chuva e ventos fortes. Seja como for, com incentivo à venda de carros e prestações baixas a perder de vista ...não podemos criticar quem pretenda ter o seu carro,  viajar sozinho e exigir que deixe o seu meio de transporte em casa para viajar num ônibus superlotado, ter o seu terno elegante amarrotado, a sua gravata espichada, e chegar suado e cansado no seu local de trabalho. Não esquecer, que haverá uma viagem de volta em sentido contrário, no mesmo estilo, nos fins dos dias.... Seja como for, com incentivos à venda de carros , juros baixos , barateamento do fim da linha de produção do ano passado e prestações baixas a perder de vista , ... de 700 a 800 veículos  entram em circulação todos os meses e as vias continuarão as mesmas !... Elas não se reproduzem sozinhas. Quem é que vai ligar para isso ? O prefeito ? Iremos seguindo assim até que aconteça o colapso total , mas elas, as autoridades, não estão ( ou estão e não dizem nada ?  ) preocupadas com o problema...afinal de contas não são eternas. É só empurrar o problema para frente com as barrigas por mais alguns meses e, pronto ...
  4. E o que fazem ? Abrem novas vias ?  criam  viadutos ? um dos  quais,  por demais necessário , deveria ser construído na Mariquita , no Rio Vermelho? E o nosso metrô, funciona ou não ? Continua sendo piada para o Brasil inteiro ? Os transportes  que temos circulando pela cidade são ônibus velhos, mal cuidados e dão até mesmo a impressão de serem unidades rejeitadas em outros estados, reformadas e jogadas em Salvador. É só conferir os tipos, principalmente as janelas, o sistema de ventilação. Há ônibus que não servem para uma cidade quente como Salvador...Os estribos são altos demais para certas pessoas, causando-lhes dificuldades para subir e descer, principalmente se tiverem alguma deficiência... Falar em pontos e paradas de ônibus, é um outro assunto desagradável...que parece não pertencer à administração da cidade ! Digo apenas que há pontos em que os passeios que acolhem os usuários, estão abaixo do nível do asfalto ! Não é um absurdo ? – també essas dificuldades impostas ao povo vão sendo empurradas para a frente até que chegue um novo gestor...
  5.  
  6. Eu já resolvi o meu problema e, com isso , contribuo com a minha gotinha d’água de apagar o incêndio do colibri , que alega estar fazendo a sua parte... Com a idade que tenho, prá que tanta pressa ?...
  7. Deixo  o meu carro na porta de casa, enferrujando , sob o sol e a chuva , marcando o meu espaço, caso contrário, alguma aluna da escola de decoração coloca o seu caro bem em frente ao portão da minha garagem, apesar da placa de aviso e o asfalto zebrado, pois ninguém respeita ninguém e pensa que está só no mundo, ...complicando a minha  situação. Até parece que os ou as motoristas de hoje , a maioria, além de ter pouco respeito ou mesmo nenhuma consideração aos direitos dos outros, não conhecem a sinalização de trânsito, principalmente a horizontal, pois há um espaço zebrado em frente à minha casa, exatamente o espaço que preciso para entrar, sair e parar ! O meu bairro, que nasceu como  residencial, e , com a complacência das autoridades que nós mesmos elegemos, foi transformado em comercial com a liberação de alvarás sem o menor critério. Não há passeios que resistam nem que bastem . Os carros ( e os caminhões também ) atraídos pelas atividades do Parque,  são tantos ,  que tomam conta de todos os espaços , jogando os pedestres para o asfalto e a área  está saturada. O Parque Cruz Aguiar é o paraíso dos bares, restaurantes , dos bebuns  que fazem a vida noturna. Durante os dias, é o comércio e outras atividades, às noites são noctívagos...E, o pior, é que cada um faz o que quer...
  8. Bem, voltando ao meu caso , deixo o meu carro na porta de casa , rolo pela cidade de buzão na base do 0800 , vou para onde quero e bem entendo sem incomodar ninguém nem me preocupar com estacionamento que está um problema e custando os olhos da cara...
  9. Já vão longe os tempos em que os cães corriam atrás dos carros tentando morder-lhes os pneus. Certamente pensavam que um monstro estava chegando. Não é que tinham razão ? E agora, o que é que vai acontecer com a bela e ensolaradas Salvador de poucas ruas apertadas e menos avenidas do que necessita e sem os viadutos que resolvam grande parte dos seus problemas ? Eu não acredito que os chamados VLTs venham de verdade a rolar em Salvador. Se rolar, não será uma solução definitiva . Aliás, nem acredito mesmo na Copa de 2014 ! Sou um descrente , mas espero estar errado .Espero que alguém mostre isso !
  10. Sarnelli, 28 de abril de 2012
  11.  
  12. Posted by Picasa

segunda-feira, 20 de fevereiro de 2012

Viajando de avião desde o século passado



Posted by PicasaViajando de avião  
Tem muito tempo que eu fiz a minha primeira viagem de avião . Acho que foi lá pelos anos  de 1948/49 .  De uma certa forma, com as minhas viagens constantes, fui acompanhando o desenvolvimento e crescimento dos aparelhos cada vez maiores e mais potentes. Quando viajei pela primeira vez e ainda em viagens posteriores, os aparelhos eram os Douglas DC 3 a hélices, houve outros também a hélices, muito diferentes dos jatos de hoje. Claro que a capacidade de transporte de passageiros foi aumentando com o tempo, mas , vamos aos  DC3 que eram aqueles aviões que, parados na pista, ficavam com o fundo no chão, portanto inclinados com o nariz em direção ao céu. Antes de mais nada   , o que hoje  pode parecer curioso,  é que no chek-in , até os passageiros eram pesados  e o controle das bagagens era rigoroso. Deixando alguns detalhes de lado, vamos embarcar.  Você entrava no avião pela parte traseira, através de uma escadinha de poucos degraus e ia logo recebendo de uma aeromoça gentil e  elegantemente fardada , o seu kit. Uma caixinha de papelão contendo o seu lanche.  Acomodados, pouco antes da decolagem e quando começavam os serviços de bordo ,  lhe ofereciam algumas balas, um protetor para a sua caneta tinteiro que certamente iria vazar por causa da pressão  , algodão para os ouvidos ,  e o seu indispensável saquinho para vomitar à vontade ! Muitas vezes um apenas não era suficiente.  Naquele época, os aviões voavam baixo , nas nuvens e sofriam constantes quedas em zonas de vácuo no espaço. Viajando ao lado da janelinha, era até possível você prever quando a aeronave iria entrar numa zona de vácuo e sofrer uma queda até encontrar uma outra área de sustentação. Esse movimento é que mexia com os estômagos dos passageiros... Alguns deles chegavam ao destino amarelos como bonecos de cera, precisando de uns dias de recuperação... Claro que as viagens eram muito mais demoradas ! Com o tempo, os aviões , bem como o tratamento a bordo , foram melhorando . O lanche deixou de ser lanche e, em companhias que se esmeravam para conseguir a preferência dos passageiros, como a Varig, Cruzeiro do Sul, Sadia, Panair e outras, você era muito bem tratado a ponto de receber para o almoço refeição quente que incluía frango , arroz, salada e sobremesa além de refrigerante , até mesmo vinho e wisky...alguns passageiros bebiam um pouco demais e dormiam a viagem toda ,mas outros passavam da conta e o wiskinho foi o primeiro a ser eliminado dos serviços de bordo.
Quem pegou esse tempo deve se lembrar com saudades  . Atualmente viajamos em aviões enormes a quase 10.000 mts de altura , com muitas comodidades e à velocidade de quase 900 quilômetros horários o que encurta, demais , o tempo de viagem e fez o mundo ficar menor juntamente com a internet. No entanto , a disputa pelos passageiros e a guerra de tarifas fez com que algumas benesses fossem eliminadas pelas empresas que fazem as linhas domésticas . Hoje , você não tem mais aquele almoço a bordo. Logo no início da viagem lhe oferecem umas balinhas e, quando começam os chamados serviços de bordo , lhe dão três pacotinhos com alguns biscoitos ou barrinha de cerais , que, tudo junto, não chega a pesar 150 gramas , um refrigerante e até uma cerveja. Mas é uma viagem tranqüila . Pode-se apenas enfrentar uma rápida zona de turbulência, quando o aviso luminoso mandar afivelar o cinto, se já não estiver afivelado. Proibido fumar a bordo, graças a Deus, algo que, anteriormente , era permitido logo após a decolagem. Mas, sim ... O saquinho, lembram-se do saquinho ? Ninguém mais usa ! O vôo é mais tranqüilo que um passeio de automóvel , que enfrenta todos os buracos que aparecem nas pistas de asfalto e que demoram para ser tapado. Ultimamente dei para viajar . Hoje andamos de Boeing e não de DC3 – numa das minhas descidas para São Paulo fiquei surpreso ao verificar que tínhamos uma escala em Ilhéus. Eu e minha mulher estávamos sentados na primeira fila, onde há um pouco mais de espaço e fica bem juntinho da copa onde as moças preparam os chamados serviços de bordo. Estávamos parados em Ilhéus , foi coisa de uns quarenta minutos apenas ,  quando eu senti um cheirinho gostoso de frango que poderia ser ensopado , e fiquei curioso . Não pude deixar de perguntar à chefe da equipe: temos frango a bordo desse avião ? Ela riu e me deu a resposta: é o almoço do comandante ,  que ele mandou vir de fora...Para nós , também era hora de almoço, pois havíamos saído de Salvador poucos minutos depois das 13 horas... Como a parada era rápida, logo levantamos vôo destino São Paulo, para o aeroporto de Congonhas , e as moças apareceram com o carrinho servindo uma embalagem na qual estava escrito : É hora do lanche (!) , refrigerante e cerveja. Eu descolei uma latinha, por sinal bem geladinha e, enquanto sorvia a loirinha ,  pensava nos velhos tempos , quando, no entanto, os preços das passagens não eram para qualquer um... algo só possível para cavalheiros e madames elegantemente trajadas e bem de vida . Era, ainda, uma época romântica que não volta mais ...


quarta-feira, 11 de janeiro de 2012

Coisas da era eletrônica - se a moda pega !

Viajando , a gente sempre vê , ouve uma coisa aqui, outra ali e acolá e acaba trazendo uma historinha para compartilhar com os amigos. Essa eu achei interessante e somente mesmo na época que estamos vivendo, da Internet, é que pode acontecer.

O filho de um industrial , querendo ter maior segurança e controlar, de longe , a movimentação da fábrica , que é de porte razoável , teve a luminosa idéia de se valer dos recursos da eletrônica para controlar o interior dos diversos galpões , bem como a movimentação no exterior. Vale dizer que, já diversas vezes o estabelecimento foi visitado pelos amigos das coisas dos outros e causado alguns estragos...

Assim foi que instalou diversas câmaras em posições estratégicas dentro e fora do estabelecimento, conectadas com dois monitores mantidos em casa, filmando durante 24 horas por dia, o tempo todo...

Hoje dia, por causa de coisas como essa , ninguém tem mais a certeza de que está livre , desimpedido e que tem toda a liberdade que desejava , porque há sempre um olho nos vigiando , além dos dois do leão do imposto de renda. Se você está em São Paulo e faz um comprinha, por menor que seja, a caixa ou o caixa vai logo perguntando: quer nota fiscal paulista ? Se quiser , tem que declarar o CPF e assim o leão acaba sabendo por onde você anda... e vai fazer as contas no seu bolso ! Bem, mas voltando à estória : uma das câmaras controla a movimentação do portão principal por onde tudo passa e, consequentemente, as idas e vindas das pessoas . Uma tarde , o jovem estava dando uma olhada nos monitores quando viu o carro do pai sair. Fim de tarde. Expediente encerrado . Tomou nota da hora e esperou o pai chegar. Foi logo perguntando : onde o senhor foi que levou vinte minutos para chegar em casa ? Você está me monitorando ? respondeu perguntando o industrial. Sem resposta.

A partir daquela data , uma cena estranha começou a ocorrer todas as vezes que o industrial sai da fábrica. Ele olha para um poste e dá uma banana ! Até hoje a vizinhança , intrigada , não sabe porque aquele senhor sério e respeitável procede daquela maneira...

Sarnelli, janeiro de 2012



sexta-feira, 2 de dezembro de 2011

Bagunça nas redes Bom Preço, Extra, cartões HIpercard e Itaú

Este é um artigo do amigo Reinhard Lackinger , sempre atento às coisas e crítico  dos mal feitos que,  via de regra, penalizam a população . Vamos ao artigo :
----------------------------------------------------------------
Na época em que eram abertas as primeira lojas de supermercado Paes Mendonça em Salvador, os estudantes de engenharia e de administração de empresas aprendiam nas universidades que qualidade era "adequação ao uso!"

Um produto ou serviço era bom, se fosse adequado ao uso, satisfazendo o consumidor.

Naquela mesma época veio um folclórico jogador Baiaco lá de São Francico do Conde para o Bahia, ficando famoso pela qualidade de frente de zaga dento das quatro linhas e também pelas entrevistas que dava fora do campo depois dos jogos.

O tempo passou e aquela maior rede de supermercados já não petence mais ao Mamede Pais Mendonça - uma espécie de Baiaco do comércio varejista - faz muito, muito tempo!

Até o conceito de qualidade mudou ao longo desses anos!

Já não basta um produto ou serviço ser adequado ao uso! Agora é peciso encantar o consumidor. Qualidade agora implica "encantamento"!

Se a gente for a uma das lojas fundadas pro Paes Mendonça nos dias de hoje, não há nem adequação ao uso, muito menos encantamento!

O péssimo serviço prestado pela rede Bompreço ainda vai custar caro para quem explora esse mercado atualmente, transformando o consumidor em badameiro, deixando-o mofar em filas diante de pouquíssimos caixas e fazendo-o sentir o  ostensivo pouco caso com a clientela!

Reinhard Lackinger
------------------------

Nota de apoio : o aticulista tem toda razão. Os serviços da Rede, principalmente Bom Preço, pioram à olhos vistos, a cada dia que passa. Pior de tudo: agora  que as carteiras dos cartões de crédito das redes Bom Preço e Extra ( além do ex- Unibanco ) passaram ao controle de financeira do Banco Itaú, a coisa piorou, e muito. Sem querermos, nos transformaram em clientes do Itaú sem a menor consulta e consideração. Àvidos por dinheiro , essa financeira cria os maiores problemas para os clientes , até os bons pagadores...Visam , certamente ,  criar condições de inadimplênciar os clientes  para cobrarem multas e juros escorchantes...

Aguadem , porque virão novidades por aí... Não se iludam, não vão mehorar nada !

Enquanto isso... os serviços prestados à população são da pior qualidade e, nas lojas, ninguém se entende. Uma orquestra desafinada ,  onde  os músicos tocam em tons diferentes....  Tudo isso é bastante evidente na loja da Vasco da Gama, para dar um exemplo .

Alguém por aí se lembra da PRK30 ,  da Radio Nacional ? É isso ... !

Sarnelli

sexta-feira, 25 de novembro de 2011

Acontece cada uma ! O dia em que uma professora fez as colegas rirem...

Acabo de receber de uma amiga que chamarei de Klara , o mail com a historia engraçada que abriu alegremente o  meu dia e que compartilho , embora sem as fotos que gostaria de colocar aqui. Vamos lá ?:

--------------------------------------------------------------

 Olá...

Tem dias que as coisas ficam complicadas, não? Logo que a gente sai da cama...

Hoje, acordei cedinho, tomei banho e, para não atrapalhar ninguém, vesti-me no escuro, apenas com a claridade suave que vinha da rua, invadindo a veneziana fechada.

Sabia que estava com a gasolina do carro na reserva - assim, ainda teria que passar no posto e abastecer antes de ir para a escola. Uma paradinha rápida na cozinha, para um copo de leite, e lá fui eu.

Carro abastecido, liguei o som e fui, "curtindo" ColdPlay, no CD do carro, empolgada para o dia de trabalho.

Ao chegar na escola, mal estava trabalhando alguns minutos, e uma aluna entrou chorando. Contou-me seus problemas, conversamos, ela acalmou-se e decidiu ir para a sala de aula. Acompanhei-a, a fim de que a professora lhe permitisse entrar em aula (já que estava atrasada).

Seguindo com a aluna por um longo corredor, estranhei o som de meus sapatos. Antes que eu explique, uma pequena explicação: como estou, praticamente todos os dias, com sapatos de saltinho - sem exageros, mas de salto, alguns colegas já brincam comigo, dizendo que sabem quando estou chegando pelo barulhinho do salto. Mas, voltando ao assunto, estranhei, andando ali pelo corredor, o som dos saltos do sapato:

Ao invés de ouvir o tradicional: "Toc toc, toc toc" a cada passo, o que se ouvia era: "toc silêncio, toc silêncio". Até comentei com a aluna , mas como ela estava ocupada, tentando conter seu choro, não deu muita atenção.

Voltando à minha sala, encontrei uma das serventes (das senhoras da equipe de limpeza da escola) e comentei com ela: " Joana , que som estranho meus sapatos fazem neste corredor!". Ela indagou o por que e olhou para meus pés.

Desvendou-se o mistério.

Explodiu a servente em gargalhadas!

A abobada, aqui, ao vestir-se madrugadinha, na penúmbra, colocara um pé de sapato de cada par! Lá estava eu - com dois sapatos diferentes. Iguais somente na altura - mas totalmente diferentes
, até mesmo no formato do salto!´

Não preciso nem dizer que as gargalhadas não foram poucas! Algumas professoras, que estavam ainda na sala de professores, vieram ver o motivo das gargalhadas, e uniram-se a nós. Cheguei ficar cansada, de tanto rir! Ri, literalmente, até às lágrimas!

Apesar de ter achado muita graça, fiquei sentadinha em meu canto - com meus pés protegidos sob a escrivaninha, para evitar maiores risadas e , claro, para não "pagar mico" perante os pais e alunos.



Só eu, mesma...

Klara

sábado, 19 de novembro de 2011

Arraias no ar - Por do sol do dia 18.11.2011 visto das praias do Rio Vermelho





Os empinadores de arraias do Rio Vermelho
Foi na manhã de hoje , dia da Proclamação da República e também um dia da já tradicional reunião dos sábados, domingos e feriados , que eu e mais três velhos amigos estávamos conversando abobrinhas, eles degustando uma cervejinha gelada e eu o meu uisque , e algum tira-gosto , quando entrou na conversa o tema arraias...
Foi aí que retrocedemos no tempo e voltamos aos anos de 1940 para relembrar as nossas peripécias de empinadores de arraias.Quando não tínhamos que ir ao colégio, gastávamos a manhã pescando , tomando banhos de mar, jogando bolinhas de gude , peão e outras atividades próprias da idade.
Às tardes , Capim das Freiras , para empinar arraias. Para quem não sabe onde era ou é o capim das freiras, é aquele espaço da Paciência que fica bem em frente à Pedra dos Pássaros , até onde íamos, quando o mar permitia e a coragem deixava...Algumas vezes arrisquei ir até ela com o mar muito calmo, mas era algo fatigante , mesmo para quem tinha a energia daquela idade... Nós gastamos num só dia, toda energia acumulada durante uma noite de bom sono e para isso íamos dormir cedo...
Bem, mas vamos voltar às nossas arraias. Aqui na Bahia as arraias têm um formato retangular e apenas raras vezes, mas raríssimas mesmo, se via ou se vê uma pipa como usam em S.Paulo e outros estados , que chamamos de bacalháu .
As Arraias eram feitas de papel de seda , cruzadas por taliscas de uma vara que nós chamávamos de flexa , usadas também para pescar , muito comum no estado, época mas transformou-se em raridade. As taliscas eram coladas no papel formando um “X” , sendo que uma de cada lado, o que lhe dava solidez. Então era preciso fazer a chave, algo que chamarei de cabresto , para amarrar a linha, algo determinante para ter o seu controle total no ar , normalmente de um carretel ou mesmo dois para que pudesse para ir mais longe, das marcas Coração n. 30 ou mesmo Corrente 20 , um pouco mais grossa ou, ainda, um simples novelo 20, porém com pouca linha... Para manter o equilíbrio no ar, era preciso preparar uma rabada, que alguns meninos faziam com estreitas tiras de tecido leve , no comprimento de cerca de 3 à 3,5 metros. No entanto, quem se esmerava , os campeões, preparavam rabadas de algodão, pequenos flocos ou bolinhas amarrados , um por um , num pedaço de linha com uns 4 ou cinco metros partindo do maior para o menor até terminar apena num simples pedaço de linha. Aí estava o segredo dos empinadores. Fazer a chave e uma bela rabada . Era fácil identificar uma arraia. Claro que todos nós preparávamos as nossas arraias em modelos diversos e misturando cores que combinassem . Claro também que havia os iniciantes e os empinadores de “ periquitos” , meninos pobres que recolhiam pedaços de linha aqui e ali...Os periquitos eram, simplesmente , feitos de papel de jornal ou folhas de caderno , convenientemente dobradas para acolher o vento e tinham uma rabada de cordão de padaria.... Só serviam mesmo para atrapalhar os maiores, mas eles também tinham direito a se divertir e não poucas vezes, um simples periquito cortava uma arraia no ar ! Havia a arraia “ Pão de açúcar” , podia der um “X” que se destacava no ar, um xadrez . Podia ser mesmo apenas vermelha, azul ou verde mas, e até mesmo com papel de jornal montadas com taliscas de palmas de coqueiro...
Quem gostava do esporte , que era emocionantes , se dedicava a fazer coisas mais sofisticadas que eram a sua marca. Um outro local em que empinávamos arraias, era no Farol de Barra, outro pedaço apropriado, com ventos fortes.
Eu e minha turma sempre estivemos nessa . O céu azul de Salvador estava sempre enfeitado de arraias multicoloridas, que se movimentavam graciosamente de um lado para o ouro, algumas mais altas, outras mais baixas. Algumas iam longe, outras nem tanto e algumas quase não saíam do chão por falta de fio... Divertido , emocionante e, por isso mesmo , “ viciante “ ! E, claro, havia também a ansiedade , a bagunça, a torcida e a algazarra ...no momento de uma pegada ;Quem foi empinador de arraia sabe o que estou dizendo “ . Tinha gente que só tinha cabeça para pensar em arraias . E a regra era muito simples , que prevalece até hoje : “ arraia no ar, não tem dono “...
Bem , voltando ao nosso capim das freiras , e se não me falha a Memória , bem ali, existia , de frente para a rua da Paciência, um bloco de granito trabalhado com , encrustado , um medalhão de autoria do escultor italiano , Pasquale De Chirico, morador pioneiro no Rio Vermelho a partir dos anos 30 . O bloco e o medalhão sumiram por ocasião do alargamento da rua da Paciência com a derrubada das casas que ficavam com os fundos para o mar. Ainda hoje se encontram alguns vestígios de alvenarias... Escusado dizer que, apesar das diligências realizadas pela prefeitura, nunca mais encontraram o medalhão de Euricles de Matos e homenageado desapareceu da paisagem... Que coisa, hein ?
Nós tínhamos as feras , que se debatiam no ar, e o objetivo era cortar, as arraias dos outros. Havia verdadeiros campeões. Cortar, como ? Ah, sim...O outro segredo, além da habilidade , estratégia de empinador, era , pelo menos nós pensávamos assim, o tempero , que algumas pessoas chamam de “ cerol”, continua sendo uma mistura de vidro moído e cola passada na linha que, depois de seca, se transformava numa verdadeira navalha ! Podia ser feito com goma de mandioca cozida mas rala , porém o bom mesmo e recomendado era diluir aquela cola de peixe antiga e fedorenta colocando-a na água por uns dias . Podia-se também usar goma arábica , comprada em papelarias... Havia diversas maneiras de temperar o fio ou a linha. A maioria preferia fazer isso na hora de empinar, medida que o vento levava a arraia , e se dava linha... Secava rapidamente e depois começava a disputa no ar . Quando uma arraia era cortada, a meninada corria atrás para recuperá-la , mas ia cair muito longe levada pelo vento , sobre uma árvore mesmo um coqueiro ou fiação elétrica ... Quando recuperavam uma, a briga era tão grande que destruíam a arraia que tanto os fizera correr...Jaime era um rapaz magro e alto, Tinha um irmão de nome Hamilton , um dos campões do pedaço. O vidro tinha que ser moído e depois passado por uma meia feminina para se aproveiitar apenas aquele pozinho para a mistura com a cola. Pois bem. Hoje me lembraram da molqueira do Nadin. O Jaime pediu-lhe para moer um vidro, ele prontamente aceitou e quando o entregou o Jaime achou uma maravilha aquele pozinho muito bem moído parecendo pó de arroz. Preparou tudo, empinou as suas arraias e foi perdendo uma por uma sem cortas as de ninguém. Foi aí que um amigo da onça chegou no ouvido e Jaime e soprou : o Nadin não moeu vidro, e sim mármore...foi uma correria dos diabos , mas depois o Jaime terminou por achar graça na peça que o Nadim que , mais tarde , viria a ser meu compadre, lhe pregou !

Sarnelli, 15.11.2011

Posted by Picasa

segunda-feira, 10 de outubro de 2011

Por do sol visto da praia de Santana em Salvador ~Bahia


Anoitecendo - uma visão da enseada da praia de Santana



Este foi o por do sol de hoje, 10.10.2011 , visto da praia de Santana
Salvador Bahia

Fotos de Sarnelli
Posted by Picasa