quinta-feira, 22 de janeiro de 2009
Painel Comemorativo do aniversário de 500 anos de Salvador
domingo, 18 de janeiro de 2009
Me recuso a envelhecer
Muitas vezes me apanho pensando sobre o tempo e como ele passa rápido !
Vejo as pessoas que eu vi quando criança , crianças ainda , mesmo diferentes, envelhecidas e muito e vezes comento: como fulano envelheceu !
Ficou careca , face enrugada , ombros um pouco caídos e também levemente curvados , caminha lentamente arrastando os pés, dizem uns que por culpa do peso do tempo...Uma dificuldade, para subir no ônibus ! E aquela menina bonita e viçosa consumida pelo tempo que passou ? Claro que já não é mais a mesma. Em nada lembra aquela linda moça de 30 ou 40 anos atrás . E eu sigo com o meu raciocínio , observando as pessoas que conheci de um jeito e que agora as vejo de forma diferente . Todas as pessoas , ou melhor, crianças que cresceram junto comigo , se tornaram adultas, criaram famílias e agora vejo os seus filhos e netos, crianças ainda, iniciando o ciclo da vida pelo tempo afora a fazer o mesmo caminho que trilhamos até hoje. É verdade que muitos amigos já se foram , mas deixaram descendentes ; Outros continuam aí sofrendo os efeitos do que chamam de envelhecimento mas é preciso saber envelhecer e valorizar os conhecimentos adquiridos durante a vida para sabermos usar a vitalidade da nossa mente, do nosso humor, compensando a diminuição do vigor físico. É aí que você muda do status de velho, para idoso, porque, este último, continua olhando para o futuro... Afinal de contas, não precisamos andar com pressa, nem correr contra o tempo. Temos mesmo que ir devagar...;Claro que o nosso aspecto vai se modificando aos poucos, sem que realmente sintamos, mas há , em muitas pessoas , o envelhecimento pior do que o do corpo físico que nos emprestaram . Acompanham o envelhecimento e as limitações do corpo físico deixando que o seu próprio espírito ceda, lentamente , às limitações do corpo, ou seja tudo envelhece junto e o que chamam hoje de qualidade de vida se deteriora de vez.
Eu me recuso a envelhecer . Na verdade, não senti o tempo passar, mas absorvi as limitações que o tempo impôs ao meu corpo físico. É claro que não posso fazer mais certas coisas como eu dizia, e sempre disse. Quando eu queria um coco, subia na planta e ia apanhá-lo lá em cima. Hoje , esgotadas as forças da juventude , compro o coco na barraca, mando abri-lo e tomo a água através do canudinho. Mas, como estava dizendo , não senti o tempo passar e continuo sempre a mesma criança de sempre. Claro que passei a vida trabalhando, pois precisava, como todo mundo, sobreviver e, sobretudo, manter a família que formei . Claro que tive os meus anos de adulto e que tive que enfrentar a vida como adulto e responsável, me defender de muitas coisas, mas a criança que existe dentro de mim não sentiu o tempo passar e sempre foi junto comigo para o trabalho, sem atrapalhar ... . São duas coisas diferentes. A mente e o corpo físico. A mente, pelo menos até hoje, vai bem obrigado . Não parece ter atravessado o tempo sentindo, o peso de pouco mais de sete décadas e meia de vida, pois vejo as coisas com clareza, e até me parece que muitas delas eu as percebo com mais facilidade , extraordinária rapidez , e até consigo raciocinar sobre coisas de uma certa complexidade. Até parece que, enquanto o meu corpo ia perdendo vitalidade, a minha mente reagia em contrário, procurando ser sempre mais saudável. Um e a outra, andaram em conflito ! Por isso , não posso deixar que a criança que ainda mora dentro de mim , se torne adulta para, em seguida, envelhecer .Não, criança cresce, não envelhece. Envelhece o adulto que, realmente, quer envelhecer. Preciso continuar com a mente ativa , escrevendo , mantendo contato com amigos, procurando discutir assuntos e, principalmente , me atualizando com o mundo de hoje que ficou muito diferente, pequeno , turbulento e complicado, mas que não é tão difícil de entender. Não posso deixar que o tsunami dos acontecimentos e da novidades da vida moderna,das últimas décadas , incluindo a eletrônica, me deixe no passado e portanto é necessário que de uma maneira ou de outra ou, pelo menos em parte, eu me mantenha atualizado...Eu tenho que fazer força para manter o meu humor vivo , o que, de certa forma, requer uma espécie de treinamento.Aproveitar pequenas ocorrências, para, delas, fazer uma piada , mas que seja inteligente. Continuar a praticar brincadeiras como ter sempre uma resposta pronta para as pessoas ou mesmo esconder o celular da secretária... Uma boa opção , comprovada por mim , é você, tenha a idade que tiver, se interessar pela Internet e se plugar no mundo , se encher de amigos. No início, é um pouco difícil, depois que você passou a vida montado numa máquinas de escrever ( dactilográfica ), mas, com o tempo , você vai chegando lá, da mesma forma que eu cheguei e vai ter muito o que fazer...
Me recuso a envelhecer ! Exijo continuar idoso ! Claro que é preciso cuidar do corpo , ter diversos tipos de lazer, mas, se você tiver vontade de escrever as suas memórias , por que não meter mãos à obra ? Garanto que você vai reviver todos os momentos que recuperar dos tempos passados e até se emocionar. Mantenha o bom humor e não perca uma oportunidade de fazer uma piada com coisinhas do dia a dia...ou seja, mantenha a lingua e a mente afiadas... E não perca, também, a oportunidade de fazer algumas peraltices como fazia quando o seu corpo ainda era criança e, sobretudo, nunca deixe de brincar com crianças . Curta todos os sorrisos delas, que você conseguir. Você vai se sentir outro . Tudo isto é passível de acontecer proporcionando uma viagem no túnel do tempo. Você pode voltar mentalmente aos seus 17 ou mesmo 20 anos , à idade que quiser, mesmo que hoje esteja na casa do 70 ou mais . O corpo físico não acompanha a mente porque esta não envelhece e nós não podemos, em hipótese alguma, permitir que ela, A mente , se torne passiva e preguiçosa , junto com o corpo, à medida que o tempo o desgasta. Não, com a mente e o nosso humor, o tempo não tem vez.... Até nos rimos dele... É até engraçado quando coloco a cara em frente ao espelho para fazer a barba . Me vejo , mas custo a acreditar que aquela imagem seja a minha. Eu, simplesmente, não me sinto daquele jeito. Não aquele não sou eu !...Dentro de mim, eu não sou aquele. Eu continuo sendo eu , o jovem de sempre , o idoso de hoje ...!
Sarnelli, em 14.01.2009
domingo, 11 de janeiro de 2009
como nasceu uma linda amizade
Há cerca de uns cinco ou seis anos decidi ingressar no universo da Internet já com uma idade razoável , considerando que as crianças de hoje , já a partir dos três anos de idade, estão familiarizadas com micros e até já mexem com eles. Acontece com a minha netinha que, quando vem aqui em casa, vem logo se sentar no meu colo e mete as mãozinhas no teclado ...
Já eu, passei a vida “ dactilografando “ coisas em máquinas dactilográficas ou de escrever das marcas Underwood, Lexicon , Smith Corona , Olivetti ,Remington , Royal, objetos que muitos jovens de hoje sequer viram em museu ! Me relataram um caso em que o jovem perguntou à mãe: mãe, o que é uma “Olivetti ?”...Esse jovem, certamente, nasceu pertencendo à era virtual...
É claro que fiz o curso de “ dactilografia “ , com direito a diploma e tudo , algo muito importante na época... É raro, mas raro mesmo, encontrar uma máquina de escrever que ainda esteja sendo utilizada...Pois bem, depois de passar a vida dactilografando naquelas coisas que ficaram antigas , resolvi partir para modernidade e mesmo para ter com que ocupar parte do meu tempo de aposentado.. Para não me deixar ficar atrás no tempo . . Comprei o meu primeiro micro , sozinho, confiado apenas no prestígio do fornecedor e não me dei mal. Poderia ter comprado algo melhor, mas o que comprei serviu para mim, por muito tempo, pelo menos enquanto fui aprendendo e descobrindo algumas coisas. Já tinha o micro em casa, mas não podia mexer nele. Precisava ser instalado e eu necessitava aprender a trabalhar com ele. O caminho mais curto foi um curso. Me matriculei. No dia e na hora certa lá estava eu na sala de espera . Havia, entre outras pessoas, uma jovem senhora que também aguardava . Coincidiu que eu e ela chegamos juntos à porta na hora da entrada e um fato interessante. Quando ela viu que, dentro da sala, só havia garotos , gurís , deu um passo para trás e disse; “ eu não vou entrar nessa sala não !...Peguei-a pelo braço e disse, vai sim...e foi assim que nós dois , de braços dados , entramos na sala para a nossa primeira aula... Eu fiquei sendo o avô da turma e ela, evidentemente , que a tia... A parte interessante da coisa foi que eu ingressei no ramo porque me atraía, mas a Ana , por um motivo especial. Ela me dizia : cada vez que me apresentam alguém, a pessoa me pergunta : “ qual é o seu mail? “ – e eu não tenho mail !...Quer dizer: não tinha identificação civil na era da eletrônica ! É possível ? Naquele curso, na verdade, aprendemos bem pouca coisa. Acho que apenas a ligar e a desligar os aparelhos. Era tanta coisa, que não entrava de vez na cabeça , ainda mais porque as aulas eram corridas . Se perdesse algo, estava perdido mesmo. Ainda hoje, ando descobrindo coisas ! Eu e a moça que estou chamando de Ana , fizemos o curso, ficamos amigos e mantemos contato até hoje , inclusive vez por outra ela nos telefona, nos visita, a mim e à minha mulher, em casa. Mas, depois desse, para continuar sabendo quase nada e tendo que descobrir as coisas na marra, ainda tentei mais dois que não acrescentaram muita coisa . Na verdade, não há manual que ensine todos os segredos dos micros e cada um de nós o utiliza apenas de acordo com as suas necessidades dentro dos limites do seu desejo e do que é possível fazer. Não há tempo para explorar totalmente um micro. É impossível... O Único jeito mesmo é quebrar a cabeça e perguntar uma coisa a um, outra a outro amigo, uma parte descobrir por teimosia...e seguir lutando...porque todos os dias têm novidades. De repente, sem querer , você descobre algo e custa a saber como conseguiu fazer aquilo...
Um amigo meu, instalou o meu primeiro micro, inclusive o scaner e a impressora, e toquei o barco. Tinha dias que só faltava enlouquecer, pois aconteciam cada nós, que, para desatar , tinha que recorrer a algumas telefonemas. Aos trancos e barrancos fui indo e comecei a entrar na Internet . O sofrimento era maior porque, naquele tempo, a Internet na minha zona era discada... Mas, me comunicar com quem ? Não tinha endereços e era desconhecido . Ouvi falar de umas tais salas de Chat e numa tarde que penso que foi de domingo , entrei numa delas e fiquei peruando até que encontrei alguém com quem falei um pouco mais...Na verdade, não gostei do tipo de conversa da turma braba que estava no ar . Não fiquei muito tempo no ar,. mas o suficiente para pedir o endereço da moça que, surpreendentemente , me deu e eu anotei, deixando o quadradinho de papel sobre a minha mesa, praticamente esquecido. Eu havia encontrado alguém diferente no meio daqueles jovens que só diziam bobeiras e que não estavam identificados pelos seus nomes verdadeiros. Pior: nem sabia onde estavam ! Por conta disso, diziam o que queriam e bem entendessem ... Um belo dia , me entra uma mensagem assinada pela pessoa . Estranho, dizia para mim, eu já vi este nome em algum lugar. Remexi nos meus papéis e constatei que era da pessoa com quem eu havia conversado no Chat. Respondi e, a partir daí , começamos a nos identificar, mas não foi esclarecido até hoje como e porque a pessoa, no caso uma moça, havia mandado aquele mail para mim. Ela nunca soube se explicar... O fato foi que o tempo foi passando e cada vez mais nos identificávamos um com o outro e a nossa troca de correspondência passou a ser normal, quase diária . Há coisa de dois ou três anos, tendo ido à S.Paulo, onde mora uma irmã da minha esposa, demos uma esticadinha até o RS e nos conhecemos pessoalmente. Eu estava acompanhado da minha mulher e ela , que chamarei Rosa, pelo seu marido. Daí para cá a amizade só cresceu . Quando viajei para o sul, eu tinha sabido que ela tinha estado em Porto Seguro onde comprara um “ preto velho “ o qual, infelizmente , chegou em casa transformado em cacos de barros, fato que muito a entristeceu. Levei de lembrança um preto velho comprado no Mercado Modelo , que fez a sua alegria. Os nossos contatos podem ser considerados quase que diários. Conseguimos , de um fortuito encontro no ar, construir uma bela amizade. Tem havido muitas coincidências, mas muitas mesmo, nas nossas vidas. A primeira delas, foi ela ter entrado naquele Chat sem saber porque e eu também. Até parece que nós tínhamos um encontro nos ar...e a Rosa nem sabe explicar porque me meu o endereço, muito menos porque mandou aquele tal de mail...
Claro que , com o passar do tempo, fiz outras boas amizades e hoje a Internet , as amigas e amigos, fazem parte do meu dia a dia . Não dá para explicar, mas cria-se uma ligação muito forte entre as pessoas, estejam onde estiverem , que passam a fazer parte de uma família virtual a tal ponto interligada , que, uma pequena demora nos contatos começa a preocupar... Agora, por exemplo, neste período de férias de fim e começo de ano , estou me sentindo meio abandonado mas sei , ou melhor, percebo, que a maioria dos meus amigos e amigas de todos os dias que estão ausentes, estão usufruindo de merecidas férias. Com certeza, após o carnaval , nos reuniremos de novo e teremos um 2009 Feliz.
Sarnelli, em 09.01.2009.
Já eu, passei a vida “ dactilografando “ coisas em máquinas dactilográficas ou de escrever das marcas Underwood, Lexicon , Smith Corona , Olivetti ,Remington , Royal, objetos que muitos jovens de hoje sequer viram em museu ! Me relataram um caso em que o jovem perguntou à mãe: mãe, o que é uma “Olivetti ?”...Esse jovem, certamente, nasceu pertencendo à era virtual...
É claro que fiz o curso de “ dactilografia “ , com direito a diploma e tudo , algo muito importante na época... É raro, mas raro mesmo, encontrar uma máquina de escrever que ainda esteja sendo utilizada...Pois bem, depois de passar a vida dactilografando naquelas coisas que ficaram antigas , resolvi partir para modernidade e mesmo para ter com que ocupar parte do meu tempo de aposentado.. Para não me deixar ficar atrás no tempo . . Comprei o meu primeiro micro , sozinho, confiado apenas no prestígio do fornecedor e não me dei mal. Poderia ter comprado algo melhor, mas o que comprei serviu para mim, por muito tempo, pelo menos enquanto fui aprendendo e descobrindo algumas coisas. Já tinha o micro em casa, mas não podia mexer nele. Precisava ser instalado e eu necessitava aprender a trabalhar com ele. O caminho mais curto foi um curso. Me matriculei. No dia e na hora certa lá estava eu na sala de espera . Havia, entre outras pessoas, uma jovem senhora que também aguardava . Coincidiu que eu e ela chegamos juntos à porta na hora da entrada e um fato interessante. Quando ela viu que, dentro da sala, só havia garotos , gurís , deu um passo para trás e disse; “ eu não vou entrar nessa sala não !...Peguei-a pelo braço e disse, vai sim...e foi assim que nós dois , de braços dados , entramos na sala para a nossa primeira aula... Eu fiquei sendo o avô da turma e ela, evidentemente , que a tia... A parte interessante da coisa foi que eu ingressei no ramo porque me atraía, mas a Ana , por um motivo especial. Ela me dizia : cada vez que me apresentam alguém, a pessoa me pergunta : “ qual é o seu mail? “ – e eu não tenho mail !...Quer dizer: não tinha identificação civil na era da eletrônica ! É possível ? Naquele curso, na verdade, aprendemos bem pouca coisa. Acho que apenas a ligar e a desligar os aparelhos. Era tanta coisa, que não entrava de vez na cabeça , ainda mais porque as aulas eram corridas . Se perdesse algo, estava perdido mesmo. Ainda hoje, ando descobrindo coisas ! Eu e a moça que estou chamando de Ana , fizemos o curso, ficamos amigos e mantemos contato até hoje , inclusive vez por outra ela nos telefona, nos visita, a mim e à minha mulher, em casa. Mas, depois desse, para continuar sabendo quase nada e tendo que descobrir as coisas na marra, ainda tentei mais dois que não acrescentaram muita coisa . Na verdade, não há manual que ensine todos os segredos dos micros e cada um de nós o utiliza apenas de acordo com as suas necessidades dentro dos limites do seu desejo e do que é possível fazer. Não há tempo para explorar totalmente um micro. É impossível... O Único jeito mesmo é quebrar a cabeça e perguntar uma coisa a um, outra a outro amigo, uma parte descobrir por teimosia...e seguir lutando...porque todos os dias têm novidades. De repente, sem querer , você descobre algo e custa a saber como conseguiu fazer aquilo...
Um amigo meu, instalou o meu primeiro micro, inclusive o scaner e a impressora, e toquei o barco. Tinha dias que só faltava enlouquecer, pois aconteciam cada nós, que, para desatar , tinha que recorrer a algumas telefonemas. Aos trancos e barrancos fui indo e comecei a entrar na Internet . O sofrimento era maior porque, naquele tempo, a Internet na minha zona era discada... Mas, me comunicar com quem ? Não tinha endereços e era desconhecido . Ouvi falar de umas tais salas de Chat e numa tarde que penso que foi de domingo , entrei numa delas e fiquei peruando até que encontrei alguém com quem falei um pouco mais...Na verdade, não gostei do tipo de conversa da turma braba que estava no ar . Não fiquei muito tempo no ar,. mas o suficiente para pedir o endereço da moça que, surpreendentemente , me deu e eu anotei, deixando o quadradinho de papel sobre a minha mesa, praticamente esquecido. Eu havia encontrado alguém diferente no meio daqueles jovens que só diziam bobeiras e que não estavam identificados pelos seus nomes verdadeiros. Pior: nem sabia onde estavam ! Por conta disso, diziam o que queriam e bem entendessem ... Um belo dia , me entra uma mensagem assinada pela pessoa . Estranho, dizia para mim, eu já vi este nome em algum lugar. Remexi nos meus papéis e constatei que era da pessoa com quem eu havia conversado no Chat. Respondi e, a partir daí , começamos a nos identificar, mas não foi esclarecido até hoje como e porque a pessoa, no caso uma moça, havia mandado aquele mail para mim. Ela nunca soube se explicar... O fato foi que o tempo foi passando e cada vez mais nos identificávamos um com o outro e a nossa troca de correspondência passou a ser normal, quase diária . Há coisa de dois ou três anos, tendo ido à S.Paulo, onde mora uma irmã da minha esposa, demos uma esticadinha até o RS e nos conhecemos pessoalmente. Eu estava acompanhado da minha mulher e ela , que chamarei Rosa, pelo seu marido. Daí para cá a amizade só cresceu . Quando viajei para o sul, eu tinha sabido que ela tinha estado em Porto Seguro onde comprara um “ preto velho “ o qual, infelizmente , chegou em casa transformado em cacos de barros, fato que muito a entristeceu. Levei de lembrança um preto velho comprado no Mercado Modelo , que fez a sua alegria. Os nossos contatos podem ser considerados quase que diários. Conseguimos , de um fortuito encontro no ar, construir uma bela amizade. Tem havido muitas coincidências, mas muitas mesmo, nas nossas vidas. A primeira delas, foi ela ter entrado naquele Chat sem saber porque e eu também. Até parece que nós tínhamos um encontro nos ar...e a Rosa nem sabe explicar porque me meu o endereço, muito menos porque mandou aquele tal de mail...
Claro que , com o passar do tempo, fiz outras boas amizades e hoje a Internet , as amigas e amigos, fazem parte do meu dia a dia . Não dá para explicar, mas cria-se uma ligação muito forte entre as pessoas, estejam onde estiverem , que passam a fazer parte de uma família virtual a tal ponto interligada , que, uma pequena demora nos contatos começa a preocupar... Agora, por exemplo, neste período de férias de fim e começo de ano , estou me sentindo meio abandonado mas sei , ou melhor, percebo, que a maioria dos meus amigos e amigas de todos os dias que estão ausentes, estão usufruindo de merecidas férias. Com certeza, após o carnaval , nos reuniremos de novo e teremos um 2009 Feliz.
Sarnelli, em 09.01.2009.
sexta-feira, 9 de janeiro de 2009

O casamento do Lamparina...
Não tenho boa memória para números e datas, mas acho que foi lá pelos anos de 1954 ou 55. Só tenho a certeza mesmo, que foi para o casamento do Lamparina . Este é o apelido que insistíamos em fazer pegar , e pegou , sobre o nosso grande e bom amigo...Naquela época, eu morava em Santos , peguei um Sky Master do Loide Aéreo , um quadrimotor, e voei para Salvador, pois fora convidado para o casamento do bom amigo , em uma cidade no interior da Bahia, ou seja, em Valença , no sul do estado. Tive uma escala no Rio já que vôos diretos de Sampa para Salvador ainda não existiam. Eram aviões a pistão , demoravam mais tempo e estavam sempre sujeitos vácuos pelo caminho, sofrendo seguidas quedas no espaço vazio, até encontrar sustentação de novo. Voavam relativamente baixo, esta é a diferença com os jatos de hoje que voam a mais de 10 mil metros de altura, com uma velocidade média de 800 quilômetros horários, ...com cabine pressurizada , ar condicionado e coisa e tal...O Sky Master tremia o tempo todo , sacudia , abanava as asas . Pior de tudo, quando começava a reduzir a velocidade e perder altura é que sentíamos os efeitos dos freios e da reversão... Parecia que o avião ia estourar... No fim, toda viagem de avião é boa, quando se chega...não é mesmo ?
Como sempre fazia , quando vinha para a Bahia , ficava hospedado na casa do meu amigo de infância e compadre duas vezes . Cheguei alguns dias antes , rolamos pela cidade e fizemos algumas pescarias. Eu vou deixar o personagem com o nome de Lamparina, ou melhor , com o seu apelido... Chegou o dia de seguir para Valença. Tomamos o navio “ CACHOEIRA “ para atravessar a Baía de Todos os Santos eu , o meu compadre, em companhia de uma tia e primos da Marina , a futura mulher do Lamparina , que, cabe aqui dizer, já era médico formado. O naviozinho saiu do cais da Baiana , atravessou a baía , entrou no rio Paraguassu e atracou no terminal de São Felix. Durante todo o trajeto apreciávamos o vai e vem das dezenas de saveiros de velas brancas que se moviam, empurrados pelos ventos , em todas as direções, dentro da imensa baía , a segunda maior do mundo.
Sinceramente, como marinheiros de primeira viagem, não estávamos preparados para o que aconteceu ! Ninguém nos havia avisado. Chegando ao porto, ainda de longe, vimos uma composição ferroviária com seis ou sete vagões , à espera dos passageiros . Até aí, tudo normal. O navio nem tinha atracado ainda quando o pessoal começou a saltar para terra firme correndo em direção aos vagões. Um mundo de gente pulando e correndo para ocupar lugares nos vagões. Não foi fácil não , conseguir um lugar para sentar . Havia passageiros que já haviam encomendado os seus lugares às pessoas do local , mediante, evidentemente, uma gorgetinha . Aquelas pessoas ocupavam tranqüilamente os lugares e , a seguir os entregavam aos interessados logo que chegavam sem ter necessidade de pular do navio e sair correndo. Havia gente que tomava o lugar por conta própria e depois o negociava por uns trocados. Já adivinharam que nós não conseguimos lugar algum, não é verdade ? Viajamos em pé até a cidade de Santo Antônio de Jesus , afinal,não iria ser uma longa viagem. Durante o percurso , houve uma briga dentro do nosso vagão porque um caipirão daqueles havia dado uma bruta cusparada no chão do vagão. Desaforos, palavrões, xingamentos mas, entre mortos e feridos salvaram-se todos. De Santo Antonio de Jesus, viajamos num ônibus, ou melhor num cacareco , rolando sobre uma pista de barro batido e toda esburacada . O tipo da estrada em que você desvia de um buraco para cair em outro, procurando sempre acertar no menor... dentro de uma hora, chegamos a Valença onde fomos recebidos pelo Lamparina que festejou a nossa presença . Estávamos meio mortos e cansados, mas isso o Lamparina resolveu muito rapidamente. Nos colocou no nosso apartamento, sabem onde ? No hospital da cidade! É preciso lembrar, que eu já disse que ele
era ( e ainda é) médico...Havia muitos convidados , pois o casamento do Lamparina era mesmo um acontecimento social na cidade. Afinal, quem não conhecia aquela figura , quase foclórica ?Tinhamos um apartamento,e as refeições as fazíamos na casa da família da Marina, a noiva. Chegou o dia do acontecimento. A igreja, no cocoruto de um morro de onde se tinha uma ampla visão da cidade mas um inconveniente: a subida, que pôde ser feita, também, por meio de uma longa e extenuante escada. Por que, me perguntava, colocaram uma igreja num local que exigia
tanto esforço para chegar até ela ? Subi as escadas, chegando ao alto com as pernas bambas e precisando de um tempinho para me recuperar, e olhe que eu era jovem... o casamento aconteceu na presença de uma multidão, boa parte dela fora da igreja, a festa aconteceu e deu a impressão de que toda a cidade participava dela mas, o tempo foi passando e as coisas se acomodando até que voltou a reinar a tranqüilidade no pedaço e ficamos somente nós , a família e o casal. Fomos descansar. Ficamos mais uns dias em Valença . Corremos a cidade toda eu e o meu compadre . Quando queríamos alguma coisa e entrávamos em algum local , pedíamos o que queríamos e, já na hora de pagar, a eficiência do Lamparina se manifestava . Afinal, por ali, uma palavra sua era e ainda é, com certeza, lei... Não havia na cidade um só local onde pudéssemos comprar algo. Tudo estava pago pelo Lamparina . Iria e foi tudo para a conta dele, embora, certamente, não tivéssemos abusado...Chegou o dia da volta. O nosso velho ônibus , uma longa espera pelo trem na estação e uma viagem desastrada . Num trajeto curto, a Maria Fumaça resolveu quebrar umas quatro vezes. Estávamos no meio do mato , na beira da estrada, sem recurso algum. Matávamos o tempo brincando, conversando , contando piadas. Tínhamos a companhia dos recém-casados indo para Salvador em viagem de lua de mel. Quando, finalmente, chegamos ao porto e conseguimos tomar o navio de volta , tivemos que enfrentar a mesma correria no sentido inverso. O povo pulava do trem e corria para o navio que, desta vez, estava mesmo atracado. Não dava para acompanhar. Fomos Andando calmamente mesmo e cada um de nós arranjou um cantinho para se acomodar. Enfrentamos o trajeto pelo Rio Paraguassu e depois a travessia da Baía de Todos os Santos . Que viagem ! Mas o Lamparina, merecia a nossa presença. Era e é ainda um grande amigo. Depois disso , só me restou preocupar com a viagem de volta para casa ...mais um avião, daquela vez , deixando a bela Salvador para trás !...
Sarnelli – reescrito em 10.01.2009 – Foto baixada da Internet
terça-feira, 6 de janeiro de 2009
Preserve a sua vida !
As festas continuam acontecendo, mas elas só devem gerar alegrias e divertimentos.
As avenidas da cidade já começaram a ser preparadas para a nossa semana de carnaval , em Fevereiro , mas, sempre haverá muitas festas antes da quarta feira de cinza... No dia 2 de fevereiro, como dizia Caymmi, será dia de festa no mar. O bairro do Rio Vermelho estará cheio de populares e turistas. Vamos brincar, minha gente, mas não vamos abusar das bebidas. Se beber, não dirija - Peça a um amigo que não bebeu, que faça isto por você.A imagem que ilustra esta postagem é uma advertência da SET que, no caso, está fazendo alguma coisa. Cliquei esta foto no Porto da Barra. Ao fundo, o Forte de Santa Maria. Vamos brincar , sem provocar tragédias . Bebida e volante é uma mistura explosiva ! !
Este blog foi configurado para receber comentários e ou sugestões.
Foto de Sarnelli
Ecos do passado
Ecos do passado
Em março de 1952 ( não está errado não. É 1952 mesmo ! )me muni de um passaporte italiano, Peguei um avião da Varig, um Convair, e me mandei de S.Paulo para Porto Alegre. Fiquei uma semana por lá , após a qual , procurei uma agência da Varig para fazer uma reserva num vôo para Montevideo. Foi aí que a coisa pegou !Naquela época, eu não havia completado ainda os 21 anos e o funcionário se recusou a fazer a reserva sob a alegação de que eu era menor. Concordei, tentando fazer-lhe ver que não era mais menor por força de uma emancipação legal , e comprovei com a escritura oficial, além de ter , na minha carteira de identidade Mod.19 , a anotação correspondente. Não adiantou coisa alguma . Acho que o cara nunca tinha visto um caso daquele...
De fato, ao completar os dezoito anos, me pai me emancipou e eu pude participar da empresa que tínhamos, com todos os direitos e obrigações dos maiores de 21 . Fazer o que ? Estava dado um nó no meu projeto de viagem. Só vi uma solução. Me mandei para o Juizado de Menores , onde passei o dia atrás de uma coisa e de outra, mas saí de lá com uma autorização para viajar livremente pelo país inteirinho e até ao exterior, se essa fosse a minha vontade...Documentos, não me faltavam ! Claro que viajei . Num fim de tarde, estava descendo no aeroporto internacional de Carrasco , em Montevideo!
Montevideo é uma cidade bonita e tem muito a ver com a minha Salvador , característica que lhe é dada pelas águas do Atlântico e pelas praias que são muito iguais. O porto fica dentro de uma enseada ou Baía , podendo servir com perfeição aos cenários de filmes de piratas e, aliás, esta foi a primeira idéia que me veio à cabeça.
Teve um dia que fui dar uma olhada no porto, como não poderia deixar de ser. Encostei num armazém onde um navio descarregava, sabem o que ? Latrinas !...Latrinas importadas da Inglaterra , da marca Hervy , com a indicação de Made in England ! As nossas latrinas também eram inglesas; Nós usávamos vasos importados, como outras coisa também. Telhas ? Eram francesas ! Até hoje temos casas cobertas em Salvador com telhas francesas... Aqui não se fabricava nada e tudo vinha de fora. Dependíamos do mundo inteiro ! O linho do terno branco que o baiano usava ? Era irlandês e, por aí afora...Com o tempo, é evidente que a coisa mudou, pois tudo muda o tempo todo...
Resolvi dar um passeio pela orla e peguei uma passagem num ônibus de turismo. Quer dizer, num cacareco com ampla visão , ideal para o passeio. Mas era um ônibus qualquer , um calhambeque mesmo, sem a cobertura, uma vez que fora, simplesmente, adaptado para aquele tipo de serviço . Ótimo para os dias de sol mas um pouco de chuva colocaria tudo a perder. O que não faltava era ventilação nem sol ... O passeio não me acrescentou nada de novo . Vi praias iguais às minhas mas, fosse como fosse, eu estava de férias e viajando . O passeio foi legal. Fazer nada e passear já é alguma coisa.
Bem, de Montevideo para Buenos Ayres, fui de avião. O avião de carreira era um hidro , do tipo Catalina . Para sair da água e subir não foi fácil não. A gente sentia que estava deslizando sobre a água, mas que não saía dela. Demorou um bocado para que ele, finalmente, saísse do oceano e começasse a ganhar altura. Quando o milagre aconteceu e senti que estava no ar , me perguntei como aquela zorra estava conseguindo voar . Fez tanta força para subir que pareceu que ia explodir. O interessante é que aquele monstrengo tinha dois andares e a comunicação se fazia por meio de uma escada caracol. A viagem foi boa e curta. O hidro desceu nas águas barrentas do Rio da Prata. Ainda era dia. Desembarcamos e fui para um hotel no centro de Buenos Ayres. Quando chegamos, o tempo estava bom e eu tratei de me acomodar no hotel e desfazer as minhas malas, pronto para as primeiras incursões. Eu estava em pleno centro de Buenos Ayres, do mesmo modo como tinha estado em Montevideo. Estava na caje Florida, uma das mais famosas de B.Ayres, pertinho da Esmeralda e outras importantes. Perto de tudo. Não precisava ir longe. Como não podia deixar de ser, já no hotel dei de cara com uma turma de brasileiros de S.Paulo e, assim, já fiquei enturmado . Tinha até a companhia do Inspetor da minha empresa.. Tinha a opção de sair sozinho e ou com a turma , enfim, tinha companhia. À noite íamos a restaurantes e boites para jantar, naturalmente , e assistir aos shows de dança. Algumas vezes até mesmo de tango , eu que adoro , mas o que mais escutava eram sambinhas...Tinha também a opção de sair com o inspetor da companhia para a qual eu trabalhava. Sr. Mancini, que me convidou para ( voltar ) ir com ele a Montevideo para buscar o “Andréa C” , navio da nossa companhia que estava chegando à Buenos Ayres procedente da Itália, com centenas de passageiros destinados à Argentina. Como se tratava do desembarque de muita gente, as autoridades argentinas se deslocaram para o Uruguay e, durante a viagem iriam conferindo os passaportes e dando os vistos de desembarque, para facilitar a chegada... Na ida, apanhamos o navio de carreira que saíu à noite e amanhecemos em Montevideo. Não deu para sentir a viagem, porque dormi logo que o bicho saiu. Tanto, não tinha nada mesmo para ver...Quando acordei, já estávamos atracados. Mancini, todo feliz da vida me disse que iria me levar para almoçar algo que chamou de “ Mickey Jones “ , pelo menos me pareceu isto. No restaurante, na hora em que o garçon trouxe o tal do Mickey Jones eu ri para mim mesmo , pois era, nada mais nada menos, que o nosso mexilhão , coisa que, na época, eu encontrava com facilidade nas pedras das praias de Santos e Guarujá... Não comentei nada e acompanhei a felicidade e a festa que ele estava fazendo ! Claro que também comi, pois era um dos frutos do mar da minha preferência mas, que foi engraçado, foi...Pegamos o “Andréa C”. Durante a viagem, umas doze horas, as autoridades argentinas atenderam os passageiros em fila com os documentos nas mãos. Chegamos a Buenos Ayres no fim da tarde com um drama para enfrentar. Eu dei azar ! O tempo havia mudado de uma hora para outra. A temperatura estava beirando o zero ! O pior de tudo: ventava um vento frio, gelado ! Para complicar ainda mais a situação , era um domingo e não havia táxis disponíveis. Como fazer ? A muito custo consegui uma charrete que estava chegando. Tomei-a e pedi que me levasse ao hotel Eu tremia, tremia de verdade. Estava com roupas inadequadas. Chuva e frio, demais para um baiano só. O vento era terrível ,e o que mais incomodava !No hotel mergulhei num banho quente, me enrolei todo, coloquei as roupas mais pesadas que tinha e fui para o bar. Tome-lhe chocolate quente com cognac ! Não sei quanto cognac tomei até me sentir razoavelmente bem,mas deve ter sido uma boa quantidade. Foi impressionante como o tempo mudou daquele jeito. No espaço de dois dias, a temperatura caiu de 25 para zero grau. Naquele tempo não havia satélite e a previsão do tempo era motivo de piadas. Do jeito que o vento e o frio chegaram, se foram . Passei mais alguns dias em Buenos Ayres e chegou o dia e a hora de voltar no mesmo “ Andrea C” – Voltaria por mar, curtindo uns dias de viagem. Não podia dar outra: dei de cara com mais brasileiros à bordo Quantas vezes, em Buenos Ayres, você se esforçava para se fazer entender e pedir uma informação e a pessoa ria na sua cara e lhe dizia: por que não fala em português mesmo ? A Viagem de volta começou normal. Primeiro, timidamente, a ambientação e, aos poucos, a aproximação com os outros passageiros até que o grupo se formava e começavam as brincadeiras. No meu grupo havia um alemão e um filho de italiano, o Dell’Aringa, com quem fiz uma amizade que continuou depois, pois ele era dono de uma padaria em Santos, onde eu morava, na época. A viagem foi distraída. Só foi ruim porque terminou. Brincávamos e pregávamos peças uns aos outros . As melhores gozações e brincadeiras ficaram por conta de uns brinquedinhos que comprei em Buenos Ayres, tudo falso. Bombinhas para colocar dentro de cigarros, almofadas que faziam barulhos estranhos, livros que explodiam, martelos de espuma , coisas assim. Todos andavam desconfiados de todos. Uma noite, à beira da piscina , um grupo conversava e explodiu em gargalhadas quando o cigarro do primeiro Oficial estourou no seu rosto !...No entanto,. O local preferido para as brincadeiras era o bar, principalmente com a almofada barulhenta. Quando alguém ia se sentar , um de nós enfiava a almofada redonda , cheia de ar e, quando a pessoa soltava o peso em cima, acontecia ! Pruum...! Igualzinho, só faltava mesmo o mau cheiro...As pessoas ficavam encabuladas enquanto os presente morriam de rir...Bem, a viagem foi uma delícia. Já disse que foi ruim porque acabou. Além das nossas próprias brincadeiras havia aquelas organizadas pelo Comissário. Fora das brincadeiras aconteceu um episódio que não deu mais para esquecer. Logo após a saída de Buenos Ayres, o Maitre chegou para mim e disse: Sr. Sarnelli, eu quero mandar fazer alguma coisa especial para o Senhor. É só dizer o que deseja que eu mandarei fazer. Agradeci a boa intenção e lhe disse que gostaria de comer um spaghetti alho e óleo . Ele se escandalizou ! Mas, Sr.Sarnelli, spaghetti alho e óleo não é coisa fina, é comida de pobre ! Não é elegante ! Bem, se não é elegante, paciência , mas eu gostaria de um belo prato de spaghetti. No almoço seguinte, trouxeram um belo prato de spaghetti com uma molheira discretamente coberta. Dentro, azeite quente com, sobre ele uma bela camada de alho triturado , no ponto , uma beleza , e doirado, exalando um cheiro que se espalhou por toda a sala de refeições. Bem, servi-me e comecei a comer mas a recomendação de discrição do Maitre foi para o beleleu . O alho se denunciou e os amigos queiram saber o que eu estava comendo. Não deu outra: no dia seguinte, spaghetti alho e óleo para todo mundo e algumas vezes mais durante os poucos dias do retorno.Foi a bordo do “ Andréa C” que aprendi a fazer o alho e óleo. Em casa se fazia com alguns dentes de alho e a bordo aprendi que é com a dentadura inteira .... Fica uma delícia ! O “Andréa C” era um navio pequeno e a primeira classe era reduzida, o que facilitou a união das pessoas. Era tudo elegante, porém simples, nada daquela sofisticação exibida a bordo dos grandes navios de luxo .. A viagem não podia ter sido melhor mas, como não há bem que sempre dure e mal que perdure, terminou ao atracamos no porto de Santos. Eu nem desci do navio, já havia começado a trabalhar. Ficou, para cada um, a lembrança e o relaxamento de uma viagem maravilhosa, embora de poucos dias. Fiz a parte que me competia e, quando o navio foi embora, eu disse a mesma frase de sempre : bem,.. mais um que se vai ! Era a minha maneira de “ contar” os navios que despachava...
De outra feita, embarquei em Santos no “ Giovanna C” , com destino a Salvador. O “ Giovanna C” era uma navio de carga mas tinha acomodações para 21 passageiros e eu era o único . Me sentia e era tratado com membro da tripulação, com direito a todas as mordomias, inclusive a fazer as refeições na mesa do comandante. Paramos três dias em Vitória do Espírito Santo. Viagem um pouco chata. Eu, muito jovem no meio daqueles oficiais e marujos calejados, verdadeiros lobos do mar habituados àquela vida tranqüila e rotineira de navegantes. De Vitória para Salvador, viagem monótona , apropriada mesmo para descanso. Durante o dia, a visão era do vasto oceano, do horizonte que nunca alcançávamos , do céu e, à nossa esquerda, a costa brasileira. À noite, escuridão total que favorecia olhar os milhões de estrelas que pontilhavam o céu. Se você chega, pelo mar, a Salvador, durante o dia, tem uma visão maravilhosa da cidade , que parece um presépio. À noite, também, porque totalmente iluminada. Desembarquei e fui para a casa de um amigo, na verdade, meu compadre duas vezes, até hoje. Não me lembro quanto tempo fiquei em Salvador, mas não foi pouco não. Deve ter sido um mês. Não dá para esquecer a viagem de volta para casa. Veja só que coisa: as coisas mudam o tempo todo, se mudam.. Voltem ao passado ! ....No dia do meu retorno, ainda de madrugada, às cinco della mattina, fui para o aeroporto. Tinha que pegar um avião para São Paulo. Era um DC-3 Douglas, o famoso Douglas, aquele com dois motores que ficou famoso pela segurança e que , quando pousava encostava a traseira com aquela rodinha na pista. Naquele tempo, tudo era diferente . Começava, que pesavam a bagagem e os passageiros , para calcularem a gasolina que iriam colocar nos tanques ! ... No embarque, você recebia ,ainda na escadinha , uma caixinha de papelão com o seu lanche. Era aquilo e estava acabado. A bordo, você encontrava os saquinhos para o caso de necessidade...
O avião levantou vôo logo cedo , o que me deixou alegre. Ia chegar cedo em casa ! Vã ilusão ! Tinha uma longa jornada pela frente . Eu cheguei a pensar que aquilo era um avião mas logo descobri que era um bonde aéreo. A primeira descida foi em Ilhéus. Um aeroporto no meio do nada. Comprei um coco com cachaça, lindamente decorado. Levantamos vôo outra vez. Um dos motores pegou fogo. Voltamos. Consertamos a joça , como tudo parecia bem, o piloto resolveu que podia ir. Eu, sempre desconfiado , de olho no motor do meu lado, justamente o que fora reparado. Sempre com uma ponta de desconfiança. Quem tem, tem medo, não é mesmo? Houve outra parada. Vocês sabem onde fica Pedra Azul ? Só sei que é em Minas, porém não é no meio do nada não, é mesmo no meio do mato! A pista , parecia um campo de futebol abandonado. Até hoje não sei porque descemos ali. Provavelmente para abastecer. Percebi que havia alguns tonéis e uma cabana . De fato, abasteceram o pássaro voador . Rolamos pela pista ou pelo campo, levantando muita poeira e subimos para mais uma descida em Belo Horizonte. Daí, ainda fizemos Rio de Janeiro e, finalmente, São Paulo , chegando no finzinho do dia, começo da noite.Antigamente era assim. Uma viagem cansativa quase uma aventura. O pior foi que eu estava com dor de barriga. Aquela dor de barriga ! Tentei diversas vezes ir no avião mas um ventinho não deixava. Só fui me livrar do meu problema na pensão do tio Armando, em Sampa, ainda assim com muito esforço e dificuldade. Não era mole não !
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Foto baixada da Internet
De um cartão postal da companhia proprietária do navio
domingo, 4 de janeiro de 2009
O último imperador do Brasil
O monumento em homenagem a D.Pedro II foi localizado inicialmente no Campo da Pólvora, de onde foi tranferido para a locação atual, no Jardim de Nazaré, no mesmo bairro, por causa das obras da construção do Fórum Rui Barbosa.
A obra é do escultor italiano Pasquale De Chirico e foi inauguirada e, 07.09.1937.
Foto de Sarnelli
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